Em 1947, uma nuvem de gafanhotos vinda da Argentina atacou lavouras no Rio Grande do Sul, comendo tudo o que fosse verde no caminho. O município de Pelotas (RS) passava por um período de calor atípico. Não era a primeira vez que os insetos invadiam áreas agrícolas na região. Mas, naquele ano, seria diferente.
Por volta das 16h do dia 19 de agosto, o piloto Clóvis Gularte Candiota, de 26 anos, levantou voo com seu biplano Muniz M-9 prefixo PP-GAP, de fabricação brasileira, do Aeroclube de Pelotas. Junto, estava o agrônomo Antônio Leôncio de Andrade Fontelles, chefe do posto local do Ministério da Agricultura, preparado para acionar um pulverizador que ele havia encomendado de um funileiro local e tinha acoplado ao avião.

Muniz M9 foi o modelo utilizado no primeiro voo de pulverização agrícola no Brasil (Foto: Divulgação/Sindag)
A operação, no entanto, foi um sucesso. E de acordo com o Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), esse voo é considerado o marco inicial da aviação agrícola no Brasil, que, na última sexta-feira (19/08), completou 75 anos de atuação no país. Nos Estados Unidos, a atividade já existia há 26 anos. Na Argentina, as aeronaves eram usadas para pulverização de gafanhotos desde 1926 e no Uruguai tinha se formado em 1946.

Arte reproduz o primeiro voo de pulverização agrícola no Brasil (Foto: Divulgação/Sindag)
Nos anos 60, o setor começou a se expandir, com o surgimento de outras empresas de aviação agrícola. “O setor foi organizado no final da década, quando nasceu a legislação da atividade e surgiram os cursos de piloto agrícola e de especialização para engenheiros e técnicos agrícolas atuarem no setor. Até hoje, a aviação agrícola é a única ferramenta com regulamentação específica e ampla no Brasil”, diz o Sindag.

Clovis Candiota pilotou no primeiro voo de pulverização agrícola no Brasil (Foto: Divulgação/Sindag)
A aviação agrícola brasileira, que passou a incluir os drones, vem atuando fortemente também no combate a incêndios em florestas, áreas de reservas e lavouras.

Avião pulverizando plantação de soja no RS (Foto: Divulgação/Sindag)
A maioria da frota é de motores a pistão, mas os turboélices americanos vêm ganhando terreno e já representam 22,45% do total de aviões. Na Agrishow, feira agrícola realizada em Ribeirão Preto em abril deste ano, as aeronaves estrangeiras vendidas tinham fila de entrega até 2024.
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