Em 27 de janeiro de 2013, há 10 anos, o Estado viveu sua maior tragédia quando 242 pessoas perderam a vida após um incêndio na Boate Kiss, em Santa Maria-RS. A tragédia comoveu o Brasil e o mundo pelo fato de ter vitimado, na grande maioria, jovens universitários. A cidade de Santa Maria, um polo regional de educação e assim tendo muitos estudantes, possui um tradicional conglomerado de casas de eventos e boates.
Foi neste ambiente que, após um artefato que produz fogo ser aceso, ocorreu a tragédia, matando a maioria das vítimas pela inalação de uma fumaça tóxica, produzida após a queima das espumas de isolamento acústico.
A tragédia marcou para sempre a vida de centenas de pessoas e expôs também muitas falhas que, se inexistentes, poderiam ter evitado a perda de tantas vidas. Passados dez anos o caso virou uma minissérie, produzida pela NetFlix e que estreou no último dia 24 de janeiro na plataforma digital com o título de “Todo dia a mesma noite”.
Filmada com base nos acontecimentos reais , mas sem citar nomes verdadeiros e tendo atores dramatizando a trama, a obra novamente chocou o país revelando o sofrimento das famílias, das vítimas e o contexto do fato.
A obra traz, porém, uma visão onde o Ministério Público do Estado não concorda. O órgão emitiu uma nota após a liberação da minissérie ao público, onde , dentre outros pontos, afirma que: “A série explora, para o entretenimento, a dor de centenas de famílias, ainda enlutadas, que aguardam, em longa espera, a punição dos culpados”.
O órgão acrescenta um fato que julga ser ainda mais grave: “A produção do canal de streaming expõe uma versão para a opinião pública de um caso ainda em tramitação, que poderá ser objeto de novo júri popular”. A afirmação destaca o fato do júri, do qual teve condenações, foi anulado.






