O julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode definir a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro será retomado nesta sexta-feira (30), após a suspensão da sessão. O quarto dia de análise do caso tem início às 12h e marca um momento crucial para o desfecho dessa questão de grande repercussão política.
Até o momento, a corte eleitoral já realizou três sessões de votação sobre o assunto, e o placar está em 3 a 1 pela inelegibilidade de Bolsonaro. Os quatro ministros que proferiram seus votos até o momento optaram por absolver o ex-candidato à Vice-Presidência, Walter Braga Netto.
A ação, que tramita em sigilo no TSE, investiga a conduta de Bolsonaro durante uma reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada, ocorrida em julho do ano passado. Na ocasião, o ex-presidente levantou suspeitas sobre as urnas eletrônicas, sem apresentar provas, e criticou o sistema eleitoral brasileiro.
O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Benedito Gonçalves, votou a favor da inelegibilidade de Bolsonaro por oito anos nas últimas sessões. Ele considerou que as declarações do ex-presidente ultrapassaram os limites da liberdade de expressão e caracterizaram comportamentos patológicos e abusivos do poder.
Já o ministro Raul Araújo defendeu a tese de que Bolsonaro abordou temas legítimos de discussão, como o voto impresso, e votou contra a condenação. Ele ressaltou a importância da liberdade de dúvida em uma democracia, afirmando que cada cidadão tem o direito de questionar.
O ministro Floriano Marques também votou pela inelegibilidade, destacando que o julgamento não trata de ideologias, mas sim de comportamentos abusivos e do uso indevido do poder. Segundo ele, é necessário coibir tais condutas para preservar a democracia.
Por sua vez, o ministro André Tavares apontou que Bolsonaro questionou o sistema eleitoral brasileiro em diversas ocasiões e ressaltou a importância de não ignorar os fatos. Ele destacou que as declarações do ex-presidente apresentaram distorções da realidade e chegaram a caracterizar uma narrativa delirante, prejudicando a democracia e o processo eleitoral.
Nesta sexta-feira, a retomada do julgamento traz expectativas sobre os próximos votos dos ministros e o desfecho dessa importante questão jurídica que pode ter consequências políticas significativas. A sessão ocorre em uma data próxima ao recesso do Judiciário, marcado para sábado (1º), demonstrando a urgência do tribunal em concluir esse processo.
Com informações: Fernando Kopper
Fonte: R7






