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Estiagem impacta ensaio de cultivares em rede de soja no Rio Grande do Sul

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O Ensaio de Cultivares em Rede (ECR) de soja, realizado pela Fundação Pró-Sementes e Sistema Farsul e patrocinado por Bayer e Senar-RS, enfrentou os efeitos devastadores da severa estiagem que assolou o Rio Grande do Sul durante a safra 2022-2023. O projeto, que abrangeu 11 municípios gaúchos, teve que descartar três campos experimentais devido à falta de chuva.

A proposta do ECR era implantar áreas de testes com 40 variedades de grupos de maturação da soja, compreendendo os ciclos de 5.0 a 6.5. No entanto, os resultados foram comprometidos pela ausência de chuvas e pela falta de uniformidade nos experimentos realizados em Pelotas, Cachoeira do Sul e Bagé. A estiagem afetou o estabelecimento das plantações, resultando em dados insuficientes para análise nesses campos.

A gerente de pesquisa da Fundação Pró-Sementes, Kassiana Kehl, lamentou a situação, explicando que as condições climáticas adversas prejudicaram o desenvolvimento das plantas em algumas regiões. Em Cachoeira do Sul, por exemplo, a fase de florescimento e enchimento de grão exigiria 7mm de chuva por dia, totalizando 450 mm ao longo de 65 dias. Entretanto, o volume de chuvas não atendeu a essa demanda, afetando o ciclo da cultura.

A amplitude das produtividades regionais variou significativamente, indo de 17 sacas por hectare em Cachoeira do Sul a 77 sacas em Vacaria, onde um cultivar de ciclo precoce alcançou uma produtividade de 108 sacas por hectare. Essas variações indicam o potencial do Estado para colher mais de 100 sacas por hectare em condições ideais.

O superintendente do Senar-RS, Eduardo Condorelli, fez uma analogia entre as variedades de soja e modelos de carros, enfatizando que o rendimento de cada cultivar depende das condições do terreno. Contudo, devido à gravidade da seca, ele comparou as estradas do Estado a 25% delas estarem intransitáveis, o que inviabilizou os resultados satisfatórios nos testes.

O vice-presidente da Farsul, Elmar Konrad, ressaltou a resiliência necessária por parte dos produtores diante de perdas e dificuldades de mercado, especialmente no contexto de custos elevados e preços de venda estagnados.

Apesar das adversidades climáticas, o ECR registrou uma produtividade média de 36,9 sacas por hectare nesta safra, de acordo com a Conab. Embora tenha superado a safra anterior (23,9 sacas por hectare), ainda está longe da média de 57,2 sacas por hectare da safra 20/21.

A análise dos dados coletados pelo ECR é fundamental para orientar os agricultores na escolha das cultivares mais adequadas às diferentes regiões do Rio Grande do Sul, proporcionando melhores resultados e resiliência diante de cenários climáticos desafiadores.

Com informações: Fernando Kopper

Fonte: Correio do Povo

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