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Preços do trigo em queda: Safra e clima diferenciam Rio Grande do Sul e Paraná

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O mercado de trigo encerrou a primeira quinzena de setembro com uma tendência de queda nos preços, impulsionada principalmente pela brusca redução das cotações no estado do Paraná. Enquanto a tonelada do cereal experimentou uma retração média de 18% nas regiões produtoras desde o início do mês, no Rio Grande do Sul, a diminuição ficou em torno de 5%, conforme apontado por levantamento realizado pelo economista Elcio Bento, da consultoria Safras&Mercado. No estado gaúcho, as negociações relacionadas à commodity estão estagnadas, e informações recentes indicam compras efetuadas a aproximadamente R$ 1,1 mil por tonelada.

Desde o início deste ano até a primeira quinzena de setembro, os preços do trigo acumulam uma queda de 27% no Rio Grande do Sul e de 42% no Paraná, conforme estimativas de Bento. A discrepância entre esses dois estados, que juntos respondem por mais de 90% da produção de trigo no Brasil, pode ser atribuída às variações sazonais na oferta e às condições climáticas.

“No Paraná, a safra está sendo colhida a um ritmo considerável, sem grandes perdas até o momento. Já no Rio Grande do Sul, as lavouras estão sendo prejudicadas pelo excesso de chuva, e, ao observarmos os mapas de precipitação para os próximos meses, parece cada vez menos provável que a safra passe incólume por essas condições”, compara o consultor.

No caso do Rio Grande do Sul, a incerteza em relação ao impacto das chuvas frequentes e intensas na produtividade e na qualidade do trigo tem paralisado as negociações. Essa precipitação prolongada é associada ao retorno do fenômeno climático El Niño. “A boa notícia para as lavouras gaúchas é que há muito pouco trigo pronto para colher. Os produtores aumentaram suas demandas, enquanto os moinhos estão hesitantes em comprar, já que a percepção é de que, se os preços no Paraná continuarem caindo, logo eles poderão adquirir do Paraná”, observa Bento.

Segundo dados da Emater/RS-Ascar, a maioria das lavouras de trigo no Rio Grande do Sul se encontra em fases de desenvolvimento reprodutivo, sendo 41% na etapa de floração e 34% na de enchimento de grãos. O restante está em estágios de desenvolvimento vegetativo (19%) e maturação (6%). Estima-se que a área cultivada no ciclo de 2023 seja de 1,5 milhão de hectares, com uma expectativa de colheita de 3.021 quilos do cereal por hectare.

Devido à sequência de chuvas no estado, representantes de empresas de assistência técnica e entidades de agricultores têm expressado preocupações com a possibilidade de inclinação das plantas e um aumento na ocorrência de doenças fúngicas, especialmente nas espigas. Isso compromete o desenvolvimento dos grãos e sua adequação para a produção de farinha, o que contribui para a queda nas cotações. “Se houver trigo de baixa qualidade no Rio Grande do Sul, ele precisará ser vendido no mercado internacional e até mesmo para a indústria de ração animal. O trigo de alta qualidade continuará sendo valorizado, mas ainda assim, há uma tendência de preços em queda”, alerta Bento.

O analista também aponta que o cenário doméstico é influenciado pelos preços internacionais. Na Argentina, por exemplo, as cotações atuais do trigo são 20% mais baixas em comparação com o mesmo período do ano anterior. Na Bolsa de Chicago (CBOT), a queda na mesma base de comparação é de 26%. “Estamos enfrentando um cenário internacional de preços mais baixos. Mesmo que haja uma safra abundante no Rio Grande do Sul, isso provavelmente reduzirá ainda mais os preços. No entanto, considerando que a safra não deve ser excepcional, isso deve mitigar o impacto baixista nas cotações”, avalia Bento.

Fonte: Correio do Povo

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