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Produtores de trigo em alerta diante do recrudescimento de fenômenos climáticos

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O aumento da intensidade do fenômeno El Niño está deixando os produtores de trigo em estado de alerta. Com mais de 80% das lavouras em fase de floração e enchimento de grãos, os agricultores enfrentam a incerteza provocada por chuvas, calor, granizo e ventos, fatores cruciais para a produtividade e rentabilidade da safra. “É neste período que se define a produção. Se a lavoura veio bem até agora e sofre um fenômeno climático extremo, não há retorno”, alerta Alencar Rugeri, assistente de culturas da Emater/RS-Ascar. Ele destaca que as lavouras gaúchas do cereal estão em boas condições, mas todas em uma fase delicada e frágil.

Cerca de 80% das plantações estão concentradas na Metade Norte e na Depressão Central do Estado, onde os agricultores estão apreensivos com a combinação de umidade e calor. “Nessa época, essas condições são muito prejudiciais porque afetam a qualidade dos grãos através das doenças fúngicas, sobre as quais, neste estágio, temos baixo controle”, relata Hamilton Jardim, presidente da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul). A atenção também se volta para a incidência de ferrugem.

A maior preocupação recai sobre as condições climáticas adversas nas regiões de plantio mais tardio, como em Vacaria e na Campanha. O recente episódio de granizo em Bagé é um exemplo do que pode ocorrer. No entanto, até o momento, não há grandes registros de perdas na região. “Se o granizo que caiu no centro de Bagé tivesse atingido as lavouras, não teríamos mais nada. Temos poucos relatos de perdas de trigo até agora”, comenta Thomas Brasil Colvara, responsável técnico da unidade da C.Vale de Bagé.

Segundo a Emater/RS-Ascar, a colheita da safra de trigo deve ter início a partir da segunda quinzena de outubro. Apesar do bom desenvolvimento, a cultura já perdeu potencial produtivo em algumas regiões devido aos eventos climáticos. A estimativa da instituição, divulgada em junho, é de que o Rio Grande do Sul colha 4,54 milhões de toneladas do cereal, representando uma redução de 12,6% em relação à safra histórica de 2022, que totalizou 5,3 milhões de toneladas.

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