Com a entrada em vigor das novas regras no plano principal do IPE Saúde no último domingo, a autarquia observa um movimento intenso de reingressos e desligamentos por parte dos segurados. Embora haja a expectativa de uma possível redução no número de segurados devido às mudanças, o IPE Saúde vê de forma positiva os índices de reingresso que precederam as alterações.
Até o dia 5 de setembro, um total de 774 servidores solicitaram o reingresso, aproveitando a janela com condições facilitadas. No mesmo período, 1.361 se desligaram do plano, o que representa uma perda de 587 segurados.
O diretor de Relacionamento com Segurados, Paulo Ricardo Gnoatto, ressalta que houve uma procura significativa por cancelamentos, especialmente por parte dos dependentes que eram isentos de desconto antes das mudanças nas regras. Ele explica que a decisão de cancelamento muitas vezes é tomada quando o dependente já possui outro plano ou não faz mais parte do grupo familiar.
Essas alterações afetaram especialmente os servidores que se separaram, mas que anteriormente deixavam os ex-cônjuges como dependentes sem custo adicional. Agora, os dependentes têm descontos variáveis, dependendo da faixa etária, oscilando entre R$ 49,28 a R$ 439,16 por pessoa, de acordo com a tabela de referência.
Apesar das mudanças, a busca pelo reingresso é notavelmente alta, surpreendendo a autarquia. Djuliana Cappellari, assessora de Relacionamento com Segurados, observa que muitos desses reingressantes são servidores com salários mais elevados.
A nova lei também introduziu a Tabela de Referência de Mensalidade (TRM), limitando o valor máximo de desconto para os servidores de acordo com a faixa etária. Cada segurado titular paga ao IPE Saúde 3,6% sobre o salário de contribuição ou o valor da TRM, priorizando o que for menos oneroso ao servidor.
Gnoatto e Djuliana reforçam a importância de os servidores realizarem cálculos através do simulador disponibilizado no site da autarquia antes de tomar decisões sobre a manutenção ou retirada de dependentes do plano. Essa ferramenta permite a comparação com valores de mercado. Eles enfatizam que, nesse aspecto, os sindicatos têm sido parceiros ao orientar os servidores.
Quanto às reclamações sobre a dificuldade de atendimento na rede credenciada, Gnoatto destaca que, no atendimento eletivo, a expectativa é que os segurados consigam consultas dentro de duas a quatro semanas, o que está alinhado com os prazos dos planos de mercado. Ele ressalta que esse prazo pode variar devido a diferenças no credenciamento de médicos e entidades.
O governo do Estado estima um aumento na arrecadação com as novas regras, com destaque para um incremento de R$ 140 milhões destinados aos honorários médicos. Contudo, algumas variáveis, como um possível êxodo de segurados e uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça do RS, podem influenciar esse cenário. A liminar trata da dependência entre servidores, questão ainda pendente de decisão pelo TJ-RS e que pode afetar o cálculo do Estado.
Fonte: Correio do Povo






