Quando o Grêmio conquistou o tricampeonato da Libertadores em 2017, Geromel celebrava aos 32 anos, enquanto seu parceiro de zaga, Walter Kannemann, festejava sua segunda taça aos 26. Desde o início da parceria em 2016, a extensa jornada do argentino no Tricolor e a idade avançada de seu histórico colega, atualmente com 38 anos, podem sugerir que “o gringo”, como é chamado no vestiário, seja um veterano experiente. No entanto, no futebol, os números contam apenas parte da história.
No ano de 2022, o camisa 4 participou de apenas nove jogos devido a uma lesão no quadril. Em 2023, já acumula 17 cartões amarelos em 37 partidas até o momento. São duas temporadas consecutivas em que, olhando apenas para esses dados, é comum ouvir que “Kannemann já não é mais o mesmo”. No entanto, há outros aspectos a serem considerados.
“Ele traz um caráter moral ao jogo e toda a energia possível nas disputas. Ainda tem muito a oferecer”, afirma James Freitas, auxiliar técnico do Grêmio em 2016, responsável por indicar Kannemann a Alberto Guerra, então vice de futebol, quando o zagueiro estava no Atlas, do México.
Mesmo no ano do rebaixamento, quando mal conseguia se levantar da cama devido a dores no púbis, Kannemann esteve presente em 37 jogos. Somente em dezembro, pôde passar pela cirurgia tão necessária. A extensa recuperação praticamente comprometeu todo o ano de 2022.
“Ainda hoje, talvez tenha o melhor desarme individual do Brasil contra os atacantes, inclusive os mais velozes. Ele sabe usar o corpo, a força e a experiência”, destaca James.
Faltando 12 rodadas para o fim do Brasileirão, é provável que ele supere sua segunda melhor marca de participações na equipe. Tanto em 2019 quanto em 2018, o argentino jogou 44 partidas, 12 a menos do que no ano da tríplice conquista na América. Ou seja, fôlego e força não são problemas.
Se as circunstâncias seguirem o padrão de anos anteriores, a renovação de contrato pode vir a ser um assunto delicado para a torcida e para a diretoria gremista. Em diversas ocasiões, o empresário do zagueiro apresentou relatos de outros clubes interessados em levá-lo de Porto Alegre, onde há quase uma década, construiu uma vida com a esposa e os filhos. “Ele é um sujeito íntegro. Carrega valores que nós gaúchos apreciamos muito: dedicação, trabalho, liderança e honestidade”, conclui James.
Fonte: Correio do Povo






