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Asma e bronquite em adultos: qual a diferença, os sintomas e os tratamentos

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Entre as doenças respiratórias, a asma e a bronquite são as que mais castigam as vias aéreas e os brônquios —  “tubos” que levam o ar para dentro dos pulmões. A asma é considerada um problema mundial de saúde e acomete cerca de 300 milhões de pessoas, segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia.

No Brasil, estima-se que existam aproximadamente 20 milhões de asmáticos.

Mas, afinal, qual a diferença entre a asma e a bronquite? E por que é possível desenvolver as doenças na vida adulta?

Asma x bronquite

Para muitos, são doenças diferentes, mas têm praticamente os mesmos sintomas, como explica do médico pneumologista do Hospital Mãe de Deus Marcelo Nogueira:

— Na verdade, a asma e a bronquite são basicamente a mesma coisa A fisiopatologia é a mesma. Ambas são uma inflamação das vias aéreas. Os pacientes confundem muito.

Conforme o chefe do Serviço de Pneumologia do Complexo Hospital da Santa Casa de Porto Alegre, Adalberto Rubin, uma pessoa com uma crise de bronquite ou de asma pode ter os mesmos sintomas. A asma, porém, é uma doença mais contínua e crônica.

— As crises são mais contínuas. A bronquite pode ser de fundo alérgico, infecciosa, ou causada pelo uso do cigarro. Os sintomas são mais pontuais, mais esporádicos. Então, enquanto a asma é mais contínua, a bronquite é mais ocasional, e tem um fator causal imediato — detalha.

Quais os principais sintomas
Falta de ar ou dificuldade para respirar
Sensação de aperto no peito ou peito pesado
Chiado no peito
Tosse

— Quando esses sintomas começam a ser muito intensos, mesmo usando a bombinha, não aliviam, e a pessoa já cansa com qualquer atividade física, acorda à noite passando mal, são sinais de alerta. É preciso procurar atendimento médico — orienta Adalberto Rubin, da Santa Casa de Porto Alegre.

Na vida adulta

A maioria dos pacientes com asma —cerca de 90%, segundo Rubin — apresenta os primeiros sintomas ainda na infância. Desses, 50% deixam de ser asmáticos ou deixam de ter bronquite à medida que ficam mais velhos. Os outros 50% podem continuar manifestando sintomas continuamente ou com retorno depois de certa idade.

A presidente da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia do RS, Manuela Cavalcanti, explica que a asma também pode se iniciar na vida adulta.

— É o que chamamos de asma de início tardio. O problema é que muitos adultos não fazem ideia de que têm asma. Acham que a tosse é só um resquício de gripe, ou que é uma tosse alérgica, minimizam os sintomas, e vão se adaptando, mudando hábitos, evitando esforços. Sem perceber que estão deixando de viver com qualidade.

Adultos têm chances de desenvolver a asma tipo 2, de origem alérgica, ou a bronquite crônica, normalmente sequela da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), muito comum em pessoas que fumaram durante anos a fio.

Manuela destaca que a DPOC envolve duas alterações principais: a bronquite crônica (que causa tosse e produção de muco) e o enfisema pulmonar (que causa falta de ar).

— Aqui também temos um problema grave: muita gente só descobre a doença quando ela já está avançada. Isso porque os sintomas aparecem devagar, e o paciente vai se acostumando com a limitação. Estima-se que mais da metade dos casos de DPOC no Brasil não tem diagnóstico, porque os sintomas são aceitos como coisa da idade ou consequência do tabagismo.

Cigarro é o grande vilão

Muitos pacientes apresentam os sintomas depois dos 40 anos ou até na terceira idade. O pneumologista do Hospital Mãe de Deus Marcelo Nogueira diz que recebe questionamentos durante as consultas:

— Eles ficam muito surpresos, porque nunca tiveram asma. Mas muitos pacientes que têm essa propensão, às vezes, têm história familiar. E geralmente aparece após alguma infecção respiratória.

O cigarro é um dos vilões de quem desenvolveu sintomas respiratórios compatíveis com asma ou bronquite já adulto. No caso da bronquite, especialmente, há o risco de desenvolver a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), que leva a complicações graves.

Adalberto Rubin, da Santa Casa de Porto Alegre, reforça que não é só o tabaco que preocupa. O vape, ou cigarro eletrônico, também deixa os médicos em alerta.

— Evite exposição ou participar de ambientes onde há fumantes presentes — orienta.

Piora no inverno

Quem tem asma, precisará conviver com os sintomas ao longo da vida, precisando ter atenção redobrada em certo momentos, como no inverno. Mudanças bruscas de temperatura, situação comum no Rio Grande do Sul nessa época do ano, podem provocar crises.

— São pacientes que são mais suscetíveis a exposições ambientais. Mudanças de temperatura, contato com mofo, ácaros, que também ficam mais frequentes no inverno. E ficamos em ambientes muito fechados, onde pode haver acúmulo de poeira. Tudo isso prejudica quem tem asma — alerta Marcelo Nogueira, do Hospital Mãe de Deus.

— A asma, normalmente, é desencadeada por algum fator ambiental. Na primavera, por exemplo, as crises podem ocorrer por exposição ao pólen.

No inverno, as infecções respiratórias, como gripes, resfriados e até o covid-19, desencadeiam sintomas agudos de bronquite ou crises em quem tem asma. Marcelo Nogueira salienta que essas viroses inflamam a via aérea e pioram a condição do paciente asmático.

Os gatilhos da asma

Quando exposto a gatilhos, o asmático pode piorar muito ou fazer aparecer sintomas. Alguns pioram os sintomas, outros também agravam a inflamação dos brônquios. Os principais são:

Ácaros
Fungos
Pólen
Animais de estimação
Fezes de barata
Infecções virais
Fumaça de cigarro
Poluição
Exposição ao ar frio

Fonte: Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia

Fernando Gomes / Agencia RBS
Quem tem asma deve evitar o tabaco lugares onde há fumantes.Fernando Gomes / Agencia RBS

Tratamento

A maioria dos pacientes com asma é tratada com dois tipos de medicação:

  • Medicação chamada controladora ou de manutenção que serve para prevenir o aparecimento dos sintomas e evitar as crises de asma
  • Medicação de alívio ou de resgate que serve para aliviar os sintomas quando houver piora da asma

As medicações controladoras reduzem a inflamação dos brônquios. As principais são os corticoides inalados (as famosas bombinhas) isolados ou em associação com uma droga broncodilatadora de ação prolongada.

As medicações controladoras diminuem o risco de crises de asma e evitam a perda futura da capacidade respiratória. O uso correto da medicação controladora diminui ou até elimina a necessidade da medicação de alívio.

A asma tem cura?

asma não tem cura. Mesmo se você não tiver nenhum sintoma, a asma está presente. Embora não exista cura, há tratamentos que melhoram os sintomas da asma e proporcionam o controle da doença, garantindo a qualidade de vida dos asmáticos.

Renan Mattos / Agencia RBS
A baixa adesão à vacinação contra a gripe é um dos motivos para a superlotação das emergências.Renan Mattos / Agencia RBS

Quando buscar atendimento médico?

De acordo com Anne Paola Gallas Duarte, médica da emergência clínica do Hospital Mãe de Deus, ao perceber sintomas como febre, tosse persistente e dificuldade para respirar a pessoa deve procurar atendimento médico o quanto antes para evitar que o quadro se agrave.

Quando o desconforto fica muito intenso e os sinais de alerta preocupantes, é necessário buscar ajuda rapidamente, atendimento oferecido apenas em uma emergência.

Sinais de alerta

Anne Paola Gallas Duarte aponta que a pessoa com sintomas respiratórios deve estar atenta aos chamamos sinais de alerta:

  • Febre persistente
  • Piora do quadro de tosse
  • Percepção de chiado no peito
  • Muito cansaço
  • Sensação de falta de ar
  • Aperto no peito
  • Mal estar intenso
  • Tontura
  • Dificuldade para hidratar-se (por conta de vômitos, por exemplo)
  • Sonolência (especialmente em idosos)

Em crianças, também é importante cuidar os sinais de desconforto respiratório, como o batimento de asa do nariz (dilatação das narinas ao respirar), a tiragem intercostal (aprofundamento dos espaços entre as costelas durante a inspiração), a cianose (coloração azulada ou acinzentada da pele), além da desidratação.

A médica reforça ainda o cuidado com os pacientes com doenças crônicas, já que eles podem apresentar descompensação de sua doença prévia, como diabetes ou cardiopatia, por exemplo, também precisando de avaliação.

*GZH

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