Em meio a um cenário de importações expressivas de leite em pó de países do Mercosul e preços e cotações estagnados no campo nacional, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) busca reverter uma decisão preliminar do governo federal sobre dumping. Na interpretação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) o produto que está ingressando no país não está enfraquecendo o setor leiteiro verde amarelo e, portanto, não há necessidade de aplicar mecanismos provisórios de proteção mercantil.
A decisão é temporária, enquanto não for concluída a investigação protocolada em agosto de 2024 pela CNA e que teve início, efetivamente, em dezembro do ano passado. Contudo, segundo o assessor técnico da Comissão Nacional de Bovinocultura de Leite, Guilherme Dias, a entidade está mobilizada para reverter essa interpretação preliminar do MDIC.
Dias destacou que a crise no setor nacional iniciou-se em 2022 e que a CNA vem atuando junto aos poderes executivo e legislativo para tentar mitigar os impactos das importações com preços considerados desleais com os concorrentes locais.
“No mundo todo o setor leiteiro é um dos mais defendidos do ponto de vista comercial. Há países que chegam a adotar tarifas superiores a 200% para a importação justamente porque a cadeia produtiva é estratégica”, explicou.
Dias sublinhou que o Brasil tem mais de um milhão de produtores rurais na atividade, sendo que 80% estão inseridos na agricultura familiar. “Eles têm um papel social muito importante para a nossa segurança alimentar”, alertou.
Esta não é a primeira vez que o setor leiteiro nacional necessita de defesa. Dias recorda a prática de dumping em anos anteriores, como 2001, 2007 e 2013, devido ao leite em pó importado da Nova Zelândia e da União Europeia mais baratos que o produto brasileiro no seu próprio mercado interno. “Para se ter uma ideia, em 2022, de julho até o fim daquele ano, o mercado de leite ‘derreteu’ 30%. Tivemos queda também em 2023”, rememorou.
O assessor técnico da Comissão Nacional de Bovinocultura de Leite da CNA acrescentou que 97% dos produtos lácteos importados pelo Brasil são provenientes do Mercosul. Especificamente sobre leite em pó, 75% do que o país consome vem do mercado externo e concorre com o leite fluido fornecido pelos produtos rurais.
O presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, afirmou que o setor sente-se abandonado pelo governo federal e cobra medidas antidumping em relação à importação do leite em pó dos países do Mercosul. “Isto causa um enorme prejuízo aos produtores brasileiros, bastante expressivo”, pontuou.
Tang acrescentou que o Estado gaúcho faz fronteira com países do Mercosul e que, associados às condições desiguais, somam-se os cinco anos de eventos climáticos extremos, ampliando a fragilidade do setor leiteiro nacional. “Nós nos sentimos desamparados e não é de hoje. É difícil expressar o sentimento de tristeza. A não aplicação de defesa antidumping significa perda de espaço do produtor brasileiro, perda da capacidade diante de concorrência desleal”, afirmou.
O presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, afirmou que o setor sente-se abandonado pelo governo federal e cobra medidas antidumping em relação à importação do leite em pó dos países do Mercosul. “Isto causa um enorme prejuízo aos produtores brasileiros, bastante expressivo”, pontuou.
Tang acrescentou que o Estado gaúcho faz fronteira com países do Mercosul e que, associados às condições desiguais, somam-se os cinco anos de eventos climáticos extremos, ampliando a fragilidade do setor leiteiro nacional. “Nós nos sentimos desamparados e não é de hoje. É difícil expressar o sentimento de tristeza. A não aplicação de defesa antidumping significa perda de espaço do produtor brasileiro, perda da capacidade diante de concorrência desleal”, finalizou.
Correio do Povo






