“Me dê 50% da Câmara e do Senado que a gente muda o destino do Brasil.” Essa afirmação feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante manifestação na avenida Paulista, em São Paulo, neste ano, indica a prioridade confessa da direita na eleição de 2026.
Inelegível até 2030, condenado por golpe de Estado, prestes a ser preso e ainda sem indicar oficialmente um herdeiro político para a eleição à presidência da República de 2026, Bolsonaro e seus aliados destinam o foco de suas articulações nos estados para a disputa pela Casa Alta.
É o Senado Federal que tem o poder de instaurar processos por crimes de responsabilidade, que podem resultar no impeachment do presidente da República e dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). No ano que vem, 54 das 81 cadeiras estarão em disputa. Garantir a maioria dessas vagas pode ser um caminho para o ex-presidente recuperar seus direitos políticos, como avaliam os seus aliados.
Para tal, foram definidas algumas estratégias. O ex-presidente e seus aliados querem ter o número 222 na urna em todos os estados e buscam candidaturas próprias.
Nos estados onde o governador é aliado, Bolsonaro deve indicar um nome, enquanto o outro fica a cargo do Executivo local. Em estados com menor potencial eleitoral, como no Nordeste, por exemplo, o PL deve focar suas energias em apenas uma candidatura.
Apesar da estratégia posta o cenário, faltando menos de um ano para o pleito, ainda é incerto. Parte, pela força que Bolsonaro vai apresentar nas articulações caso seja confirmada a sua prisão, e parte pelas articulações específicas de cada estado. A seguir, o mapa dos cotados pelo país.
Definição gaúcha destoa
No Rio Grande do Sul, a definição veio com antecedência. A um ano das convenções em que os partidos devem confirmar seus candidatos, Bolsonaro ‘deu a benção’ para uma aliança entre PL e Novo lançar os deputados federais Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo) na corrida pelas duas vagas gaúchas.
O cenário no RS destoa das demais unidades federativas. Apesar de Bolsonaro buscar unidade na direita para conseguir eleger dois senadores do seu campo ideológico em cada estado, a indefinição do seu sucessor gera incertezas.
O principal cotado para herdar a candidatura da direita ao Palácio do Planalto é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A definição do seu futuro impacta nas eleições para o governo paulista, cuja definição de postulantes também impacta na corrida ao Senado. Nos bastidores, ele já sinalizou que deve buscar a reeleição. Mas seu nome segue presente.
Da mesma forma ocorre em outras unidades federativas: Caso os presidenciáveis Eduardo Leite (PSD-RS), Ratinho Júnior (PSD-PR), Romeu Zema (Novo-MG), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) não venham a concorrer ao Planalto, alteram-se as composições locais. Ainda há a chance de uma pulverização da direita entre vários candidatos.
Não está descartada a possibilidade de Bolsonaro se afastar de todas essas propensas candidaturas e escolher algum familiar – provavelmente, um dos filhos ou a sua esposa – para enfrentar, possivelmente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas urnas. Essa decisão também afetaria as composições estaduais.
Indefinições marcam maiores estados
No Rio de Janeiro, berço político do clã Bolsonaro, o PL deve ter dois candidatos. Primogênito do presidente, o senador Flávio Bolsonaro deve concorrer à reeleição. Para a outra vaga, há uma disputa interna no partido. O governador Cláudio Castro já demonstrou intenção de concorrer, mas está afastado do ex-presidente. Internamente, pelo aliados de Bolsonaro, já é considerado ‘carta fora do baralho’. Também são considerados os nomes dos deputados federais Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, Carlos Jordy e Hélio Lopes.
Em Brasília, está bem encaminhada a candidatura da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), caso não haja uma mudança e ela venha a ser alçada a concorrer à presidência. Além de ser popular no bolsonarismo, principalmente entre as mulheres, Michelle tem amplo apoio da Igreja Evangélica. O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), busca publicamente uma dobradinha com a ex-primeira-dama. Ele deve se candidatar com ou sem o apoio de Bolsonaro, visto que o PL estuda lançar ainda a deputada federal Bia Kicis.
São Paulo é o palco das maiores indefinições. Eduardo Bolsonaro, terceiro filho do ex-presidente, era cotado como potencial candidato. Porém, após a sua atuação junto a integrantes do governo dos Estados Unidos, o fato de ter sido indiciado por possível interferência no julgamento do seu pai no STF e o agastamento das atividades parlamentares tornam seu futuro incerto.
Ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles se filiou ao Novo com a intenção de ir ao Senado. Outro candidato cotado é o recém exonerado secretário da Segurança Pública de SP, deputado federal Guilherme Derrite (PP), que seria uma possível indicação de Tarcísio.
Minas Gerais também convive com incertezas. O governador do segundo maior colégio eleitoral do país se coloca como pré-candidato a presidente. Caso se confirme, Zema deve indicar um dos nomes. Se não for, é cotado por aliados para concorrer ao Senado, apesar de declarar publicamente que tem um perfil de Executivo. Aliado do Novo, o PL trabalha com a hipótese de indicar apenas um nome: o do deputado estadual Cristiano Caporezzo ou o do deputado federal Domingos Sávio, presidente estadual do partido, apontado como favorito para a vaga. Correm por fora ainda os deputados federais Maurício do Vôlei, Eros Biondini e Zé Vitor.
Entre outros estados em que o bolsonarismo tem capilaridade, o Paraná figura com muitas possibilidades. O PL deve lançar o deputado federal Filipe Barros, um dos protagonistas do partido no Congresso. O Novo pretende lançar Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato e ex-deputado federal que teve o mandato cassado. A ex-candidata à prefeitura de Curitiba, Cristina Graeml (Podemos), se coloca como pré-candidata e pontua nas pesquisas. E Ratinho Júnior (PSD), presidenciável próximo a Bolsonaro, é cotado para a disputa, caso não concorra ao Planalto.
Bolsonaro avalia ‘exportar candidatos’ a estados
Para ter maioria no Senado, Jair Bolsonaro pode “exportar” aliados próximos para outros estados, utilizando nomes conhecidos nacionalmente onde não possui quadros protagonistas.
O principal cotado para a missão é Carlos Bolsonaro (PL), segundo filho do ex-presidente. Há a possibilidade dele concorrer em Santa Catarina, o que chegou a gerar polêmica por esbarrar em pretensões políticas de aliados no Estado. Outras unidades federativas já foram citadas, como Espírito Santo, Roraima, Amazonas, Rondônia ou Acre.
O plano pode atrapalhar pretensões locais. Após meses de especulação, Carlos confirmou a intenção de mudar seu domicílio eleitoral e figurar nas urnas catarinenses ao lado da deputada federal Caroline de Toni (PL). A intenção impacta o planejamento do governador Jorginho Mello (PL), que defende a reeleição do senador Esperidião Amin (PP).
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro partiu em defesa de Carol de Toni e publica que está “fechada” com ela “independente da sigla partidária”, após especulações de que a deputada teria perdido espaço no partido com a chegada de Carlos. Além dos citados, o PL catarinense também poderia ter na deputada Júlia Zanatta um outro nome com chances no Senado.
Caso o destino de Carlos seja o Espírito Santo, atrapalharia o projeto do senador Magno Malta (PL) de eleger sua filha, Maguinha Malta (PL). No estado capixaba, ainda há as possíveis candidaturas bolsonaristas de Marcos do Val (Podemos), que iria a reeleição, e do deputado federal Evair de Melo (PP).
Em Roraima, está aberta a possibilidade de o deputado federal Hélio Lopes (PL), do Rio, concorrer no Estado. Entretanto, o nome não foi confirmado por aliados próximos a Bolsonaro. Hélio é cotado para concorrer em seu estado ou disputar reeleição à Câmara.
Aposta no Nordeste é de candidaturas únicas
Lula venceu as eleições de 2022 em todos os nove estados do Nordeste, como uma força eleitoral que a esquerda possui na região e uma candidatura petista à reeleição reforça os palanques locais ao Senado.
Por isso, a estratégia bolsonarista deve ser de ter apenas um candidato no Nordeste. Na Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país, se sobressai o nome de João Roma (PL), ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro, que também pode concorrer ao governo do Estado.
O PL pode lançar, em Pernambuco, o deputado federal Anderson Ferreira; no Ceará, o pai do deputado federal André Fernandes, Alcides Fernandes; no Piauí, o empresário do agro Tiago Junqueira. Na Paraíba, Michelle Bolsonaro anunciou apoio à reeleição de Efraim Filho.
Possibilidades de candidaturas de Bolsonaro e da direita ao Senado Federal
Rio Grande do Sul
Ubiratan Sanderson (PL) – Deputado federal
Marcel van Hattem (Novo) – Deputado federal
Rio de Janeiro
Flávio Bolsonaro (PL) – [Reeleição]
Sóstenes Cavalcante (PL) – Líder do PL na Câmara
Hélio Lopes (PL) – Deputado federal
Carlos Jordy (PL) – Deputado federal
Cláudio Castro (PL) – Governador do RJ
Distrito Federal
Michelle Bolsonaro (PL) – Ex-primeira-dama
Bia Kicis (PL) – Deputada federal
Ibaneis Rocha (MDB) – Governador do DF
Desembargador Joaquim Coelho (Novo)
São Paulo
Eduardo Bolsonaro (PL) – Filho de Bolsonaro
Marcos Feliciano (PL) – Deputado federal
Ricardo Salles (Novo) – Ex-ministro do Meio Ambiente
Guilherme Derrite (PP) – Ex-secretário de Segurança de SP e deputado
Minas Gerais
Romeu Zema (ou nome do Novo) – Governador do MG, se não concorrer a presidente
Cristiano Caporezzo (PL) – Deputado estadual
Domingos Sávio (PL) – Presidente do PL mineiro
Maurício do Vôlei (PL) – Deputado federal
Bahia
João Roma (PL) – Ex-ministro da Cidadania
Paraná
Filipe Barros (PL) – Deputado federal
Deltan Dallagnol (Novo) – Deputado federal
Cristina Graeml (Podemos) – Ex-candidata à prefeita de Curitiba
Ratinho Júnior (PSD) – Governador do PR, se não concorrer a presidente
Pernambuco
Anderson Ferreira (PL) – Ex-deputado federal
Gilson Machado – ex-ministro do Turismo
Ceará
Alcides Fernandes (PL) – Pastor, pai do deputado André Fernandes
Pará
Éder Mauro (PL) – Presidente do estadual do PL
Santa Catarina
Carlos Bolsonaro (PL) – Filho de Bolsonaro
Caroline De Toni (PL) – Deputada federal
Júlia Zanatta (PL) – Deputada federal
Esperidião Amin (PP) – [Reeleição]
Maranhão
Sem candidaturas expressivas especuladas
Goiás
Gustavo Gayer (PL) – Deputado federal
Ronaldo Caiado (União Brasil) – Governador do GO, se não concorrer a presidente
Gracinha Caiado – Esposa de Caiado
Paraíba
Efraim Filho (União Brasil) – Reeleição, Michelle Bolsonaro anunciou apoio
Espírito Santo
Maguinha Malta (PL) – Filha do senador Magno Malta
Marcos do Val (Podemos) – Reeleição
Evair de Melo (PP) – Deputado federal
Amazonas
Alberto Neto (PL) – Deputado federal
Wilson Lima (União Brasil) – Governador do AM
Piauí
Tiago Junqueira (PL) – Empresário do agronegócio e presidente do estadual do PL
Ciro Nogueira (PP) – [Reeleição]
Rio Grande do Norte
Coronel Hélio Oliveira (PL) – Presidente do partido em Natal
Mato Grosso
José Medeiros (PL) – Deputado federal
Mauro Mendes (União Brasil) – Governador do MT, articula apoio de Bolsonaro
Alagoas
Davi Davino (Republicanos) – Ex-deputado estadual
Dra. Eudócia Caldas (PL) – Reeleição
Mato Grosso do Sul
Reinaldo Azambuja (PL) – Ex-governador do MS e presidente estadual do PL
Gianni Nogueira (PL) – Vice-prefeita de Dourados
Sergipe
Eduardo Amorim (PL) – Ex-senador
Rodrigo Valadares (União) – Deputado relator da anistia
Rondônia
Marcos Rogério (PL) – [Reeleição]
Bruno Scheidt – Pecuarista
Tocantins
Eduardo Gomes (PL) – [Reeleição], mas também pode concorrer ao governo do TO
Acre
Márcio Bittar (PL) – [Reeleição]
Gladson Cameli (PP) – Governador do AC
Mara Rocha (MDB) – Empresária e ex-deputada federal
Amapá
Rayssa Furlan (Podemos) – Primeira-dama de Macapá
Roraima
Helio Lopes (PL)
Antonio Denarium (PP) – Governador de RR
Mecias de Jesus (Republicanos) – [Reeleição]
*Correio do Povo






