A Polícia Civil deflagrou uma grande operação contra uma quadrilha que aplicava o golpe do falso consórcio lesando dezenas de pessoas de boa fé no Estado. O golpe consistia em vender uma carta de crédito de consórcio contemplada, mas que não existia. Foram 16 mandados de prisão expedidos na operação na cidade e dezenas de veículos de luxo apreendidos.
Chamou a atenção, porém, que três policiais da Brigada Militar estavam envolvidos, em um primeiro momento no papel de seguranças no transporte de malotes deste grupo. Após a operação, a Uirapuru conversou com o Comandante do 3° RPMon-Regimento de Polícia Montada, Tenente Coronel Marcelo Scapin Rovani, para falar sobre o envolvimento dos militares.
Durante a entrevista, o comandante afirmou que a atuação da Polícia Civil foi essencial para coibir a prática criminosa e destacou que a Brigada Militar já havia repassado informações à Polícia Federal sobre atos praticados pelos três policiais investigados. Ele explicou que, por se tratar de crimes de natureza econômica, a investigação vinha sendo conduzida em âmbito federal.
Rovani disse que um dos policiais já está em processo de exclusão da corporação, com pedido tramitando em Porto Alegre. Outro está afastado de suas funções desde a primeira fase da operação e responde a inquérito por fatos correlatos. O terceiro policial, ainda na ativa, também estava sob investigação e as informações colhidas foram entregues à Polícia Federal para subsidiar as ações que resultaram na operação.
O comandante reiterou que, embora a Polícia Civil tenha realizado esta nova etapa da operação focada nos estelionatos, a Brigada Militar acompanhava o caso e havia comunicado fatos relevantes às autoridades responsáveis. Ele afirmou que a operação da Polícia Civil acabou sendo antecipada em relação ao que a PF preparava, mas reforçou que a Brigada tinha controle e conhecimento sobre todo o andamento investigativo.
Ao comentar sobre a função desempenhada pelos policiais suspeitos, Rovani explicou que os dois já afastados prestavam serviços de segurança para a empresa investigada. No caso do policial da ativa, ele destacou que foram feitas diversas diligências para averiguar se o militar estava utilizando suas funções públicas para beneficiar o grupo. Inicialmente, a corregedoria não havia identificado uso indevido das atribuições, mas a investigação da Polícia Civil apontou possível intervenção do policial, inclusive com uso de viatura. Diante disso, Rovani afirmou que ele também será afastado tão logo ocorra a notificação oficial e perderá todas as atribuições funcionais, respondendo pelos atos cometidos.
O comandante destacou que a Brigada Militar atua com rigor na área disciplinar e criminal e lembrou sua experiência na Corregedoria Geral, afirmando que tem postura firme diante de qualquer conduta que prejudique a imagem da instituição perante a comunidade. Ele reiterou que qualquer ato ilegal ou imoral é apurado e punido com severidade.
Sobre policiais exercerem segurança particular, Rovani explicou que não existe autorização formal para trabalhos paralelos na corporação. Segundo ele, alguns serviços informais acabam ocorrendo, e há jurisprudência trabalhista envolvendo esses casos. Ele afirmou que a Brigada coíbe essas práticas sempre que há denúncia e que atua especialmente quando elas se tornam ilegais ou imorais.
O comandante também comentou que todas as instituições enfrentam problemas internos e que as corregedorias exercem papel fundamental para manter a integridade das forças de segurança. Ele disse que lamenta profundamente quando um agente se envolve com a criminalidade, mas reforçou que a depuração dentro da Brigada Militar é rigorosa, com afastamentos, exclusões e inquéritos que podem resultar em condenações.
Por fim, Rovani afirmou que os três policiais já vinham sendo monitorados e investigados por órgãos competentes, citando nominalmente o delegado Sandro, da Polícia Federal, com quem tratou sobre os fatos. Ele explicou que a Brigada Militar adotou postura mais cautelosa durante o processo porque havia um crime econômico de grande magnitude sendo investigado pela PF, e era necessário permitir o avanço das apurações sem interferências.
O Comandante do CRPO Planalto, Tenente-Coronel Rogério Schmidt Navarro, durante uma coletiva de imprensa posterior, também falou sobre o caso e explicou que tanto a Corregedoria-Geral da Brigada Militar quanto a Corregedoria do próprio CRPO já tinham suspeitas e informações preliminares sobre os fatos envolvendo os três policiais. Ele afirmou que, assim que a Polícia Civil trouxe dados mais detalhados, as equipes da Brigada passaram a colaborar de forma direta com relatórios de inteligência e monitoramento dos militares investigados, repassando todas as informações relevantes às autoridades.
Navarro destacou que dois dos policiais já estavam agregados, ambos afastados por circunstâncias relacionadas à investigação. Um deles, segundo ele, já respondeu a um Conselho de Disciplina, cujo resultado foi pela exclusão dos quadros da Brigada Militar, restando apenas trâmites legais para a conclusão do processo. O segundo também está agregado e responde a um inquérito policial militar devido a outros fatos criminosos correlacionados ao caso.
O comandante afirmou que o terceiro policial, que seguia na ativa, já havia sido alvo de algumas informações preliminares, mas sem consistência suficiente para abertura de procedimento formal. Ainda assim, a Brigada manteve o monitoramento e alimentou a Polícia Civil com relatórios de inteligência até que, com a prisão realizada nesta fase da operação, foram reunidos elementos necessários para abertura de Conselho de Disciplina e encaminhamento das medidas para sua exclusão.
Navarro reiterou que a Brigada Militar já estava tomando providências internas e que duas das três situações eram antigas e acompanhadas de perto pela instituição. Ele afirmou que, com os fatos consolidados, agora serão adotadas todas as medidas correcionais cabíveis, reforçando que a Brigada Militar não tolera condutas que manchem sua história de 188 anos.
Ele destacou ainda que os casos envolvem uma minoria dentro da corporação e que a instituição está vigilante e atuando de forma integrada com demais órgãos de segurança para garantir o afastamento e a responsabilização de quem se desvia da conduta esperada de um policial militar.
Rádio Uirapuru






