Empresas terceirizadas que atuam na duplicação da BR-386 desmobilizaram máquinas e interromperam frentes de trabalho no trecho entre Soledade e Tio Hugo. A retirada de caminhões, escavadeiras e a redução de equipes ocorreram em razão de atrasos nos pagamentos, segundo relatos de prestadores de serviço ligados ao Consórcio Construtor Via Sul.
Ao longo da rodovia, especialmente nas proximidades do km 242, próximo ao acesso a Soledade e ao Parador Itália, é possível visualizar equipamentos parados e frentes sem atividade. As empresas afirmam que os atrasos vêm sendo registrados desde novembro e atingem também setores como mecânica, fornecimento de combustível e outros serviços de apoio à obra.
As terceirizadas atuam para o Consórcio Construtor Via Sul, formado pela Odebrecht Engenharia e Construção e pela PowerChina, responsável pelas obras no segmento concedido à ViaSul, empresa do grupo Motiva. Conforme os relatos, além dos atrasos nos repasses, não há previsão clara para a regularização dos pagamentos, o que tem impactado diretamente a mobilização de equipes e equipamentos.
O contrato de concessão prevê a duplicação de 57 quilômetros da BR-386, entre os quilômetros 214 e 270, com entrega total prevista para o primeiro semestre. Em 2026, a projeção da concessionária é investir cerca de R$ 690 milhões em quatro frentes de duplicação da rodovia. Neste ano, o foco principal está concentrado no trecho entre Tio Hugo e Soledade.
A estimativa de investimentos da ViaSul aponta cerca de R$ 340 milhões no segmento entre Fontoura Xavier e Soledade, onde as obras já alcançaram aproximadamente 85% de execução, com expectativa de liberação das faixas duplicadas ainda no primeiro trimestre. Já entre Soledade e Tio Hugo, os investimentos somam cerca de R$ 350 milhões, com conclusão dos trabalhos prevista para o segundo semestre de 2026.
Procurada pela reportagem, a ViaSul afirmou, em nota, que está em tratativas com a empresa responsável pela execução das obras e que não possui pagamentos em atraso referentes à duplicação da BR-386. Já o Consórcio Construtor Via Sul confirmou que tem conhecimento das reclamações envolvendo atrasos e reconheceu a existência de um descompasso momentâneo no fluxo financeiro. (Posicionamento abaixo)
Segundo o consórcio, as obras avançaram em ritmo acelerado nos últimos meses, com a mobilização de mais de 925 trabalhadores e 151 equipamentos, o que teria gerado um desajuste temporário entre a produção executada e o cronograma de desembolsos do projeto. A nota destaca ainda que há diálogo constante com a concessionária, com o compromisso de equacionar a situação no menor prazo possível.
O que diz a concessionária ViaSul
A ViaSul, empresa do grupo Motiva, afirma que não possui pagamentos em atraso referentes à obra de duplicação da BR-386 junto ao consórcio construtor. Em nota, informou que está em tratativas com a empresa responsável pela execução dos serviços e reiterou que cerca de 85% dos trabalhos previstos estão concluídos, com previsão de conclusão do trecho entre Fontoura Xavier e Tio Hugo no segundo semestre de 2026.
O que diz o Consórcio Construtor Via Sul
O Consórcio Via Sul, formado pela Odebrecht Engenharia e Construção e pela PowerChina, reconhece as reclamações e afirma que houve um descompasso momentâneo entre a produção executada e o cronograma de desembolsos do projeto. Segundo a construtora, o avanço acelerado das obras, com a mobilização de mais de 925 trabalhadores e 151 equipamentos, gerou o ajuste temporário. O consórcio informa que mantém diálogo com a concessionária para regularizar a situação no menor prazo possível.
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