A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na madrugada desta sexta-feira (20), a reforma trabalhista impulsionada pelo governo de Javier Milei.
A reforma é celebrada por Milei como o fim de “70 anos de atraso”, mas é classificada pela central sindical CGT como “regressiva e inconstitucional”. O texto prevê a redução de indenizações, ampliação da jornada de trabalho para 12 horas e limitações ao direito de greve.
A base governista, no entanto, cedeu em pontos polêmicos, eliminando o artigo que reduzia salários durante licenças médicas. O Executivo sustenta que as medidas são essenciais para formalizar os mais de 40% de trabalhadores informais e reduzir encargos patronais.
Greve geral e confrontos em Buenos Aires
A votação ocorreu sob o impacto da quarta greve geral do mandato de Milei, realizada na quinta-feira (19). Segundo a CGT, a adesão superou 90%, paralisando portos estratégicos como o de Rosário e forçando a reprogramação de 255 voos da Aerolíneas Argentinas, afetando 31 mil passageiros. Enquanto o setor financeiro parou, o comércio e o transporte operaram parcialmente.
Cenário econômico e político
O avanço da reforma ocorre em um momento de contração industrial, com o fechamento de 21 mil empresas e a perda de 300 mil empregos nos últimos dois anos. O governo aposta na composição favorável do Congresso, após a vitória legislativa de outubro e a redução da inflação anual para 32%, para consolidar sua agenda de fundo.






