PUBLICIDADE

Ex-prefeito de Lajeado é preso em operação da PF contra desvio de verbas

Foto: Reprodução
Compartilhe este post

A prisão do político — que foi eleito pelo PP e atualmente é filiado ao União Brasil — é temporária, por cinco dias, renováveis por mais cinco. Foi decretada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) para evitar que os investigados combinem versões e eliminem provas.

O delegado Marconi Silva, que chefia as investigações, justifica:

— Os suspeitos apresentaram explicações que não condizem com o analisado e verificamos que mensagens indicam possibilidade de eliminação de provas.

Caumo deve ser levado ao Presídio Estadual de Lajeado. Ele deverá ser ouvido na próxima semana pela PF.

O também ex-secretário de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano do governo Eduardo Leite é alvo de inquérito que apura irregularidades no manuseio de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS). Parte da verba teria sido repassada à administração municipal de Lajeado, no Vale do Taquari.

Ao investigar a destinação de verbas, a PF encontrou indícios de direcionamento em contratos da prefeitura de Lajeado com empresa de prestação de serviços terceirizados de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista. A dispensa da licitação foi realizada com a justificativa do estado de calamidade pública declarado pelo município do Vale do Taquari após enchentes.

Auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta indícios de que a contratação direta da empresa investigada teria ocorrido sem observância da proposta mais vantajosa e os valores contratados estariam acima do valor de mercado. O valor total dos contratos, inicialmente levantados no curso do inquérito policial, soma aproximadamente R$ 120 milhões. Os alvos são investigados pelos crimes de desvio de verbas públicas, crimes em licitações e contratos administrativos, bem como lavagem de capitais.

Antes de ser prefeito, Caumo advogou para uma das empresas investigadas. No escritório em que ele atuava como advogado, os policiais encontraram R$ 411 mil em espécie num cofre. A origem do recurso é investigada.

Ouvido pela PF em novembro, Caumo disse que nunca favoreceu empresas nos contratos, mas deixou o cargo de secretário estadual do Desenvolvimento Urbano dois dias após a operação da Polícia Federal, em novembro. Desde então, a secretaria está sem titular.

Na operação desta quinta-feira, uma empresária ligada à empresa beneficiada pelas verbas também foi presa e uma vereadora de Encantado, afastada do cargo. A Polícia Federal não divulgou o nome mas a reportagem apurou que se trata de Lorena Mercalli, dona da empresa a Arki.

As buscas da PF ocorrem em 20 endereços nos municípios de Lajeado, Muçum, Encantado, Garibaldi, Salvador do Sul, Fazenda Vilanova, Novo Hamburgo e Porto Alegre. A Justiça determinou ainda o sequestro de veículos e o bloqueio de ativos no montante de até R$ 5 milhões.

Em nota, a prefeitura de Lajeado afirmou que colabora com as investigações e disponibiliza à Polícia Federal os documentos solicitados. Leia na íntegra

Contraponto
O que diz Marcelo Caumo

Advogado de defesa de Marcelo Caumo, Jair Alves Pereira afirma que desconhece “os fundamentos da prisão” e ainda não teve acesso a decisão. Segundo ele, o ex-prefeito de Lajeado tinha depoimento marcado para 4 de março.

— Eu desconheço, não entendo as razões. Me parece que não tem nada de fundamento para isso, mas eu preciso primeiro ter acesso à decisão — declarou Pereira.

O que diz a prefeitura de Lajeado

A Prefeitura de Lajeado informa que, na manhã desta quinta-feira (26/02), a Polícia Federal realizou diligências junto a setores do Executivo municipal, no âmbito da segunda fase da Operação Lamaçal.

A ação integra investigação relacionada a contratos de prestação de serviços terceirizados firmados em períodos anteriores à atual gestão.

Desde o início da operação a Administração Municipal vem colaborando com as investigações e prestando todas as informações e fornecendo documentos solicitados, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a responsabilidade na gestão dos recursos públicos.

GZH

Leia mais

PUBLICIDADE