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Agonorexia: novo efeito das canetas emagrecedoras começa a preocupar especialistas

Foto: Google
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Uso sem orientação médica de medicamentos para emagrecer pode provocar perda extrema de apetite e riscos à saúde.

Nos últimos anos, medicamentos injetáveis voltados ao controle do peso corporal, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, ganharam grande visibilidade. Inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, esses fármacos também demonstraram elevada eficácia no controle da obesidade, pois atuam na redução do apetite e no aumento da sensação de saciedade.

Com a crescente popularidade dessas medicações, no entanto, profissionais de saúde começaram a observar um fenômeno que merece atenção. Trata-se da chamada agonorexia, um termo relativamente recente utilizado para descrever uma supressão intensa do apetite provocada por medicamentos.

Embora ainda não seja reconhecida oficialmente como diagnóstico médico, a condição levanta preocupações importantes sobre o uso inadequado das chamadas canetas emagrecedoras.

Como atuam as canetas emagrecedoras no organismo:

As chamadas canetas emagrecedoras são dispositivos que aplicam medicamentos injetáveis capazes de imitar hormônios produzidos naturalmente pelo intestino. Entre os exemplos mais conhecidos estão semaglutida e tirzepatida, substâncias usadas no tratamento da obesidade e do diabetes.

Esses medicamentos pertencem ao grupo dos agonistas do receptor de GLP-1 ou compostos semelhantes. Na prática, eles atuam diretamente em áreas do cérebro responsáveis pela regulação da fome, promovendo dois efeitos principais:

• redução do apetite
• aumento da sensação de saciedade

Quando prescritos de forma adequada, esses fármacos podem contribuir significativamente para o controle do peso corporal e para a melhora de parâmetros metabólicos.

Contudo, o cenário muda quando o efeito sobre a fome se torna excessivo.

Quando a diminuição da fome se torna um problema

agonorexia descreve justamente esse ponto de desequilíbrio. Em alguns casos, a ação dos medicamentos pode levar a uma inibição exagerada do apetite, fazendo com que a ingestão alimentar se torne insuficiente para as necessidades do organismo.

Esse quadro costuma aparecer principalmente quando há uso sem acompanhamento médico, doses inadequadas ou início do tratamento sem a progressão gradual recomendada.

Alguns sinais que podem indicar um efeito exagerado incluem:

• perda de peso muito acelerada
• náuseas persistentes
• fraqueza intensa
• ingestão alimentar extremamente reduzida
• isolamento social ou preocupação excessiva com o emagrecimento

Embora o termo ainda não conste no DSM-5, manual utilizado internacionalmente para classificação de transtornos mentais, especialistas já consideram a agonorexia um alerta clínico relevante.

Impactos metabólicos que exigem atenção

Além da redução extrema do apetite, o uso inadequado das canetas emagrecedoras pode desencadear outros efeitos adversos. Um deles está relacionado à perda de peso muito rápida, que pode favorecer a formação de cálculos biliares.

Em situações mais graves, esses cálculos podem migrar e provocar pancreatite, uma inflamação do pâncreas que pode exigir tratamento hospitalar.

Outro ponto importante envolve a perda de massa muscular. Mesmo quando o emagrecimento ocorre predominantemente por redução de gordura corporal, parte do músculo também pode ser perdida.

Sem acompanhamento nutricional adequado e exercícios de resistência, esse processo pode contribuir para o desenvolvimento de sarcopenia, caracterizada pela diminuição progressiva da massa muscular ao longo do tempo.

Esse fator é particularmente preocupante porque a preservação da musculatura é fundamental para garantir mobilidade, autonomia e qualidade de vida no envelhecimento.

Riscos de produtos manipulados ou irregulares

Outro desafio crescente envolve o acesso a medicações manipuladas ou de origem não regulamentada. Em alguns casos, análises laboratoriais identificaram concentrações do princípio ativo superiores às declaradas.

Esse tipo de variação pode intensificar efeitos colaterais e aumentar o risco de complicações clínicas, especialmente quando o paciente utiliza o medicamento sem avaliação médica prévia.

Por isso, especialistas reforçam a importância de optar apenas por medicamentos aprovados por órgãos regulatórios e adquiridos por vias seguras.

Uso responsável é fundamental para segurança

Apesar dos riscos associados ao uso inadequado, as canetas emagrecedoras continuam sendo ferramentas terapêuticas importantes quando utilizadas corretamente. O tratamento seguro depende de uma abordagem que envolve diferentes profissionais de saúde.

Entre as medidas consideradas essenciais estão:

• prescrição médica especializada, preferencialmente com endocrinologista
• aumento gradual das doses, conforme tolerância do paciente
• acompanhamento nutricional contínuo
• prática regular de exercícios para preservação muscular
• avaliação psicológica quando necessário

Com orientação adequada, esses medicamentos podem contribuir de forma significativa para o tratamento da obesidade e de doenças metabólicas. Entretanto, o surgimento do conceito de agonorexia reforça a necessidade de cautela.

No fim das contas, o objetivo do tratamento deve ser sempre o equilíbrio metabólico e a saúde a longo prazo, e não apenas a redução rápida do peso.

Fonte: Portal R7.

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