No quarto silencioso do hospital, onde o tempo parece andar mais devagar, o violão repousa encostado no leito, quase como alguém que chegou para fazer companhia.
Seu José Vanderlei, de 52 anos, internado há 24 dias na Unidade de Saúde Mental do Hospital São Sebastião, aprendeu sozinho a tocar violão quando tinha 8 anos de idade, algo que ele descreve como um “dom divino”.
Quando os acordes do violão começavam a ressoar, todos já sabiam de onde vinha. Quando os dedos, já calejados pela vida, encontravam as cordas do instrumento, algo magicamente acontecia. Um sorriso instantâneo surgia no rosto, onde cada melodia era carregada de lembranças: um fim de tarde em casa, uma risada compartilhada, um pedaço de vida que insiste em permanecer ali, firme, mesmo em meio à fragilidade.
O violão não cura feridas do corpo, mas alcança um lugar que remédio nenhum toca. Ele conversa com o coração, acalma o medo, organiza o caos silencioso que às vezes cresce por dentro, reduz a ansiedade e o estresse, alivia até a sensação de dor. É como se dissesse, em cada nota: “você ainda está aqui e isso importa, não desista”.
Para quem está no leito, ele não é só um instrumento. É presença. É abrigo. É um lembrete suave de que, mesmo entre paredes brancas e rotinas difíceis, ainda existe beleza, ainda existe história, ainda existe esperança.
E assim, entre um acorde e outro, o paciente deixa de ser apenas alguém em tratamento — e volta a ser alguém inteiro, sentindo, acompanhando e vivendo, como o seu José viveu estes dias ao lado do seu fiel companheiro.
Assessoria de Comunicação São Camilo

Fotos: Divulgação







