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Lula autoriza ajuda humanitária para a Bolívia; entenda a crise política no país

Foto: Ricardo Stuckert/PR
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O governo brasileiro anunciou que enviará ajuda humanitária à Bolívia, que enfrenta ondas de protestos contra o governo. O anúncio foi feito após uma conversa por telefone entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Rodrigo Paz, na segunda-feira (25).

As ondas de protestos e bloqueios de estradas já duram quase um mês e vêm causando desabastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos no país.

“O presidente Lula reiterou sua solidariedade ao governo e ao povo boliviano e ressaltou a importância do pleno respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito”, afirmou o governo brasileiro em comunicado.

O pedido por ajuda humanitária foi feito a Lula pelo presidente boliviano, que é conservador cristão de centro-direita. Os protestos contra o governo de Paz estão sendo liderados pelo sindicato Central Operária Boliviana, por organizações camponesas e grupos ligados ao ex-presidente de esquerda Evo Morales, que rejeitou os pedidos do governo por diálogo.

Lula disse que defende que “governo e movimentos sociais evitem o recurso à violência e privilegiem o diálogo como caminho para a superação das divergências e para a preservação da paz social”.

Os EUA e a Argentina também ofereceram assistência para lidar com o desabastecimento das últimas semanas. O Departamento de Estado dos EUA descreveu a situação na Bolívia como uma “crise humanitária” e classificou os protestos como “ações destinadas a desestabilizar o governo democraticamente eleito de Rodrigo Paz”.

A Argentina enviou uma aeronave militar “para realizar pontes aéreas para o transporte de alimentos”, enquanto o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, descreveu a situação como um “levante popular”.

O que está acontecendo na Bolívia?

Seis meses após assumir a presidência da Bolívia, Rodrigo Paz enfrenta intensos protestos de diversos setores com diferentes demandas por uma mudança na direção política do governo.

Os setores mais críticos, incluindo agricultores e trabalhadores ligados a organizações sociais associadas ao ex-presidente Evo Morales, chegam a pedir a renúncia de Paz.

As manifestações afetam o cotidiano de grande parte da população boliviana, que sofre com a escassez de alimentos, combustíveis e medicamentos.

Os protestos começaram no final de abril, depois que o presidente Paz anunciou uma reforma agrária com o objetivo de transformar pequenas propriedades rurais em propriedades de médio porte.

Além disso, em abril, os professores lideraram uma série de protestos exigindo aumentos salariais em um país que enfrenta uma inflação alta, de 15% ao ano, tornando o custo de vida uma grande preocupação para os bolivianos.

Após o aumento do preço dos combustíveis, consequência da decisão de Paz de eliminar os subsídios herdados do governo anterior, os bolivianos também questionam a qualidade do produto vendido na tentativa de reduzir custos.

Correio do Povo

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