A Petrobras anunciou nesta segunda-feira (20) uma redução de R$ 0,14 por litro no preço da gasolina vendida às distribuidoras, equivalente a uma queda de 4,9%. A mudança, válida a partir de terça (21), reduz o valor médio do combustível nas refinarias de R$ 2,85 para R$ 2,71. Mesmo assim, especialistas alertam que o efeito para o bolso do consumidor tende a ser limitado — e temporário.
O preço que chega às bombas depende de outros fatores além da cotação da Petrobras, como impostos federais e estaduais, custos logísticos e margens de lucro de distribuidores e postos. Em janeiro de 2026, um desses componentes deve subir: os governos estaduais decidiram aumentar o ICMS sobre gasolina e etanol em R$ 0,10 por litro, passando de R$ 1,47 para R$ 1,57. O reajuste também afetará o diesel e o gás de cozinha.
Segundo o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), o preço médio da gasolina nas bombas permaneceu estável em setembro, em R$ 6,19, mas as margens de distribuição e revenda aumentaram expressivamente. Enquanto em janeiro essas margens representavam cerca de 15,5% do valor final (R$ 0,96 por litro), em setembro já alcançavam 21% (R$ 1,30 por litro). O aumento indica uma tentativa das distribuidoras de preservar ganhos, mesmo com o recuo nos custos da Petrobras.
No acumulado do ano, a estatal reduziu o preço da gasolina em R$ 0,31 por litro — queda de 10,3%. O corte atual reflete a recente baixa no petróleo tipo Brent, que caiu para US$ 61 o barril, o menor nível em cinco meses, em meio a uma combinação de excesso de oferta global e desaceleração da demanda. Países como Rússia, Guiana, Estados Unidos e o próprio Brasil têm mantido altos níveis de produção.
De acordo com o Itaú BBA, os preços domésticos da Petrobras estavam 11% acima da paridade internacional antes do ajuste. Com a redução, essa diferença caiu para cerca de 6%, o que deve contribuir para um leve efeito deflacionário no curto prazo. O mercado projeta impacto entre -0,08 e -0,12 ponto percentual no índice geral de preços.
Analistas do Citi avaliam que, se o petróleo permanecer em níveis baixos, a Petrobras pode promover novos cortes até o fim do ano — o que ajudaria a compensar o aumento de impostos previsto para janeiro. Até lá, o alívio no preço dos combustíveis deve ser sentido de forma moderada e desigual entre os estados.
*Agora no Vale






