O Estado do Paraná registrou a primeira morte humana causada pelo vírus influenza A(H1N1)v de origem suína neste ano. O diagnóstico foi confirmado pelo Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
A vítima, uma mulher de 42 anos, já tinha um histórico de câncer e residia próxima a uma fazenda de suínos. Ela apresentou sintomas como febre, dor de cabeça, dor de garganta e dor abdominal a partir do dia 1º de maio. No dia 3, foi internada devido à infecção respiratória aguda grave. Apesar de ter sido transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no dia 4, infelizmente não resistiu e faleceu no dia seguinte.
Durante a internação, foi coletada uma amostra de swab nasofaríngeo para testes de influenza e SARS-CoV-2, como parte das atividades de vigilância de vírus respiratórios. O exame, realizado pelo Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen) do Paraná, indicou a presença do vírus influenza A/H1.
A amostra foi encaminhada ao Laboratório da Fiocruz, referência nacional, para análises complementares e sequenciamento genômico. A Fiocruz confirmou que se tratava do vírus influenza A(H1N1)v, com alta similaridade com vírus suínos coletados no Brasil em 2015.
O caso foi notificado ao Ministério da Saúde e à Organização Mundial da Saúde (OMS), e a amostra será enviada ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos para caracterização.
De acordo com as investigações epidemiológicas, a paciente não teve contato direto com porcos, mas dois de seus contatos próximos trabalhavam na fazenda de suínos. Esses dois contatos não desenvolveram doença respiratória e testaram negativo para influenza. Até o momento, não foram identificadas transmissões de humano para humano associadas a este caso. A OMS avalia como baixo o risco de transmissão comunitária.
Quando humanos são infectados com vírus influenza que normalmente circulam entre porcos, esses vírus são chamados de “vírus variante” e são designados pela letra “v”. No caso em questão, trata-se do influenza A(H1N1)v. Os vírus H1N1, H1N2 e H3N2 de origem suína ocasionalmente infectam humanos, geralmente após exposição direta ou indireta a suínos ou ambientes contaminados.
As infecções humanas causadas por vírus variantes geralmente resultam em doença clínica leve. Até o momento, foram relatados casos esporádicos de infecções humanas pelos vírus influenza A(H1N1)v e A(H1N2)v no Brasil, mas não há evidências de transmissão sustentada de pessoa para pessoa.
Essa é a primeira infecção humana causada pelo vírus influenza A(H1N1)v relatada em 2023 no Brasil e a terceira infecção humana relatada no estado do Paraná (a primeira ocorreu em 2021 e a segunda, em 2022).
Não existe vacina específica para a infecção por Influenza A(H1N1)v. Segundo a OMS, a vacina contra a gripe sazonal, administrada anualmente, é capaz de reduzir o risco de adoecimento causado por vírus da gripe humana e variantes.
Há mais de 60 anos, o Laboratório de Vírus Respiratórios, Exantemáticos, Enterovírus e Emergências Virais do IOC desempenha um papel estratégico na vigilância da influenza em colaboração com a OMS.
Com informações: Fernando Kopper
Fonte: O Sul






