Há mais de duas semanas, caminhoneiros brasileiros, uruguaios, paraguaios e bolivianos estão enfrentando dificuldades na estrada que cruza a Cordilheira dos Andes, entre Mendoza, na Argentina, e Santiago, no Chile. O motivo são os estragos causados por nevascas e deslizamentos de pedras, que resultaram no desabamento de uma ponte na Ruta 60, do lado chileno. Em decorrência disso, as autoridades bloquearam o trecho, que é utilizado para acessar o Caminho Internacional de Cristo Redentor. Além disso, outras rodovias também estão com o trânsito interrompido devido à presença de pedras na via, deixando cerca de 4 mil motoristas parados na região.
Após semanas de trabalho de limpeza, a expectativa é que o trânsito comece a ser liberado nesta sexta-feira, do lado argentino. Diante dos problemas enfrentados pelos caminhoneiros gaúchos na região da Cordilheira dos Andes, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Carga de Linhas Internacionais do Rio Grande do Sul (Sindimercosul) tem mantido contato com o governo federal em busca de auxílio para a categoria. O presidente do sindicato, Plínio Fontella, explicou que a ponte do lado chileno desabou devido a uma enxurrada e uma nevasca, resultando na paralisação de milhares de caminhões na fronteira entre os dois países.
“Essa é a única rota para chegar a Los Andes. Mas do lado argentino, onde está a maior parte dos caminhões, a situação é crítica. São cerca de 4 mil caminhões, sendo 40% de uruguaianenses”, afirmou Fontella. Ele também mencionou que o Sindimercosul buscou apoio do consulado brasileiro em Mendoza. Até o momento, os brasileiros contam com a ajuda do sindicato dos motoristas argentinos, que têm fornecido alimentos como batatas, cenouras e água mineral a cada dois dias. Além disso, muitos caminhoneiros estão enfrentando problemas de segurança, com o roubo de caminhões na região.
Um dos caminhoneiros gaúchos afetados pela situação é Luiz Evandro Corrêa Antunes, que está parado há duas semanas na aduana de Uspallata, na província de Mendoza, Argentina. Ele saiu de Uruguaiana com uma carga de produtos químicos e chegou ao local em 23 de junho, quando teve que interromper sua viagem para Santiago, no Chile, devido à nevasca na região. Outros colegas de Antunes chegaram ao local dias antes, quando o trânsito já estava bloqueado.
Recebendo apoio do Exército e da polícia argentinos, os caminhoneiros têm recebido sopa e outras refeições especiais, além de água, todos os dias ao meio-dia. No entanto, para aqueles que não estavam preparados para a situação, os desafios são ainda maiores. Antunes alertou que alguns colegas estão enfrentando dificuldades por não terem suprimentos suficientes para os dias de espera. Ele destacou a estrutura de seis chuveiros em Uspallata, onde cerca de 600 caminhões estão parados, mas mencionou que a água pode ficar gelada em alguns momentos.
Segundo comunicado das autoridades chilenas, o trânsito no Sistema Integrado Cristo Redentor, que inclui a ruta 60, será parcialmente liberado nesta sexta-feira, do lado chileno. Isso permitirá que caminhões, ônibus e automóveis sigam em direção à Argentina. Devido ao grande número de veículos na Argentina, nos dias 8 e 9 somente caminhões serão autorizados a passar em direção ao Chile. O fluxo seguirá de forma alternada nos dias seguintes. Nos dias 10 e 12, os veículos poderão se dirigir da Argentina ao Chile, enquanto nos dias 11 e 13, o movimento será no sentido contrário.
A expectativa é que, com a liberação gradual do tráfego, os caminhoneiros consigam retomar suas viagens e superar os desafios enfrentados na Cordilheira dos Andes. Enquanto isso, o Sindimercosul continua buscando apoio para a categoria junto ao governo federal, a fim de minimizar os impactos dessa situação complexa.
Com informações: Fernando Kopper
Fonte: Correio do Povo






