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Dominique Pelicot não comparece mais uma vez a julgamento por estupro na França

Foto: CHRISTOPHE SIMON / AFP /CP
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Dominique Pelicot, acusado de drogar a mulher para que dezenas de estranhos a estuprassem na França, voltou a se ausentar de seu julgamento nesta segunda-feira porque o seu estado de saúde não melhorou, obrigando o tribunal a adiá-lo para terça-feira.

‘Ele não estará aqui hoje. A menos que o tirem à força’ de sua cela, anunciou a advogada Béatrice Zavarro à AFP, antes do julgamento ser brevemente retomado no tribunal de Avignon, no sul da França.

O presidente do tribunal que o julga, Roger Arata, indicou que o principal acusado, de 71 anos, foi submetido a um exame na véspera que identificou ‘pedra e infecção nos rins, além de um problema na próstata’. ‘Vamos suspender [o julgamento] por hoje e vamos retomá-lo amanhã [terça-feira] de manhã’, declarou Arata, que pediu um relatório médico para decidir se adia definitivamente este processo de grande repercussão.

Pelicot é acusado de drogar a esposa, dopando-a para que dezenas de estranhos a estuprassem entre 2011 e 2020. Junto com ele, outros 50 homens, entre 26 e 74 anos, enfrentam penas de até 20 anos de prisão.

Seu primeiro interrogatório estava marcado para a terça-feira passada, mas um dia antes ele já este ausente do julgamento por doença, obrigando o presidente do tribunal a alterar o programa e decretar várias suspensões.

Antes da última suspensão, nesta segunda-feira, os advogados de defesa, as partes civis e até o Ministério Público denunciaram uma situação insustentável.

‘Estamos como reféns há oito dias, porque se tivessem cuidado dele desde o início não estaríamos nesta situação’, lamentou Zavarro no tribunal, especificando que seu cliente ‘continua querendo falar e o fará’.

‘Não estão sozinhas’

Os advogados da sua agora ex-esposa e principal vítima, Gisèle Pelicot, e dos seus filhos consideraram ‘anormal’ o reinício do julgamento sem o principal acusado, já que há pessoas que têm como função garantir sua presença. ‘Se esta situação se deve a um atraso no tratamento [médico], será um escândalo’, disse o advogado Stéphane Babonneau.

Seus dois filhos ainda precisam testemunhar, mas só querem fazê-lo na presença do pai. O julgamento tornou-se um símbolo do uso de drogas para cometer agressões sexuais, prática conhecida como submissão química, e relançou o debate na França sobre a questão do consentimento.

Gritando ‘somos todas Gisèle’, 10 mil pessoas protestaram no sábado na França em apoio à principal vítima, que recusou desde o início do julgamento, em 2 de setembro, que fosse realizado a portas fechadas. Para a mulher de 71 anos, a ‘vergonha deve mudar de lado’.

Ao chegar ao tribunal, ela falou com os manifestantes: ‘Graças a todos vocês, tenho forças para travar esta luta até ao fim’. ‘Dedico [esta luta] a todas as pessoas, mulheres e homens, em todo o mundo que são vítimas de violência sexual. Quero dizer a todos hoje: ‘Olhem ao seu redor, vocês não está sozinhas”, acrescentou.

Correio do Povo

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