O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou em entrevista nesta semana que vai comprovar que houve fraudes nas urnas eletrônicas, utilizadas nas eleições brasileiras. Bolsonaro afirma que a fraude aconteceu nas eleições de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) se enfrentaram no segundo turno, sendo Dilma reeleita. O presidente declarou que vai entregar provas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que hackers mostrarão como a fraude ocorreu. De acordo com o próprio Bolsonaro, ele só foi eleito em 2018 porque teve muitos votos.
De acordo com o coordenador do curso de Ciências da Computação da IMED, Marcos Roberto dos Santos, o grande problema das urnas eletrônicas no Brasil é a questão da auditoria. A maioria dos que contestam o sistema eleitora é pelo fato de não poder auditar os votos e garantir se o voto foi para o candidato realmente. O professor cita alguns problemas que ocorrem nas eleições, como digitar o número do candidato e aparecer outro ou dar inválido. Segundo Santos, esse é um erro de software que pode acontecer com qualquer programa eletrônico, como um computador ou celular. De acordo com o coordenador, quando isso ocorre a urna é trocada por outra sem problema.
Conforme o professor, o sistema eleitoral brasileiro é motivo de estudo em outros países e visto como uma referência na questão de apuração de votos. O Brasil é um dos países que elege seus representantes de forma mais rápida no mundo. O professor explica que é impossível que um hacker invada a urna de outra localidade, pois a mesma não está conectada em nenhuma rede online. Dessa forma, cada urna teria que ser fraudada individualmente, no momento da programação. O professor lembra que o Brasil tem dimensões continentais, com muitas cidades e milhares de pontos de votação, desse modo para que as urnas sofressem uma fraude, capaz de alterar resultado de uma eleição, teríamos que ter milhares de pessoas más intencionadas e posicionadas em inúmeros locais.
Além disso, o coordenador lembra que até hoje nunca foi provado uma fraude durante uma eleição brasileira. Houveram trocas de poderes entre partidos concorrentes e sem problemas no processo eleitoral. Outra questão que os eleitores questionam é a possibilidade de hackers invadir o sistema do TSE e alterar os dados.
Conforme o coordenador do curso de Ciências da Computação da IMED, os dados sobre as eleições e os votos não são arquivos simples, tudo é criptografado para dificultar o máximo possível uma invasão e o acesso a essas informações. Mesmo que os dados sejam interceptados, é impossível que uma pessoa consiga decifrá-los. Sobre uma possível invasão no sistema final da eleição, dentro do TSE, o especialista afirma que não existe sistema 100% seguro. Todos podem sofrer algum tipo de ataque, no entanto não quer dizer que há fraude. O professor finaliza dizendo que as fraudes podem ocorrer de qualquer forma, seja num sistema informatizado, seja em um sistema físico, por isso é importante termos órgãos sérios e garantia até mesmo do próprio governo.
*Rádio Uirapuru






