A falta de medicamentos em farmácias e hospitais do Rio Grande do Sul já tem causado restrições em cirurgias. A população encontra dificuldades para comprar remédios para febre.
O aposentado Elias Severo Rodrigues, de 56 anos, vem perdendo noites de sono. “Tenho dificuldades para andar, para falar, dificuldade para tomar banho. O Parkinson tem ansiedade, depressão, depois que faltou o remédio, fiquei o dia inteiro dentro do quarto.”
Faz 20 dias que o aposentado não toma o principal medicamento para controlar os sintomas do mal de Parkinson, Levodopa e Carbidopa. De acordo com o aposentado, há quatro meses a o medicamento está em falta na Secretaria Municipal de Saúde. No início, ele relata que comprou. Depois ganhou doações.
Conforme o Conselho Regional de Farmácia, a falta de medicamentos é generalizada, e uma das causas é a escassez de matéria-prima. Atualmente, cerca de 90% dos insumos usados no Brasil para a produção de medicamentos vem da China e da Índia. A China enfrenta um novo lockdown em razão da Covid, o que tem dificultado a importação dos produtos.
“Além da falta da matéria prima, dos insumos, muitas vezes nos temos a falta das embalagens. Às vezes, a indústria tem matéria prima pra poder preparar o medicamento, mas faltam as embalagens como conta gotas, frascos, ampolas”, afirma a presidente do CRF, Letícia Raupp dos Santos.
Ela diz que já está ocorrendo desabastecimento em municípios e hospitais de diferentes portes. “Inclusive nas farmácias privadas, nós já estamos detectando a falta de algumas medicações”.
Na Região Metropolitana, gestores dos 13 municípios que formam o Vale do Sinos também relataram falta de medicamentos ou dificuldades para comprar principalmente aqueles destinados a tratar sintomas gripais e a antibióticos.
“Temos atraso nas entregas, tem um medicamento que nós estamos esperando há 60 dias a entrega. Nós tememos, porque estamos apenas no mês de maio, outono, e o clima tende a se manter desfavorável pra essas doenças respiratórias até agosto”, afirma o presidente da Associação dos Municípios do Vale do Sinos e prefeito de Dois Irmãos, Jerri Meneghetti.
O Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul (COSEMS) revela que algumas cidades já tem aumento das internações por causa da falta de remédios.
“Estamos com superlotação principalmente na área de pediatria, mas também na clinica adulto, de pacientes que estão tendo síndrome respiratória aguda grave, síndrome gripal, faringite, outros tipos de doença que estão demandando internação hospitalar porque não estão conseguindo fazer um tratamento adequado e tá tendo esse agravamento”, explica o secretário da saúde de Cristal e conselheiro do COSEMS, Tiago Huber.
O Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos informou que o aumento da demanda por antibióticos desorganizou o fornecimento, e que as fábricas estão readequando a produção para atender ao mercado. Sobre os medicamentos de uso hospitalar, o sindicato afirma que as indústrias relatam problemas de fornecer alguns produtos em razão da instabilidade no suprimento de insumos e embalagens.
O Ministério da Saúde informou que trabalha junto com os conselhos municipais e estaduais de saúde e com representantes das indústrias farmacêuticas para articular ações emergenciais que diminuam o desabastecimento de medicamentos.
“O desabastecimento é grave e tem múltiplas causas. Esse cenário preocupa o nosso conselho e todas as entidades que estão envolvidas com a dispensação do medicamento e o uso dele, inclusive impactando em restrições em cirurgias e pré e pós operatório que necessita de medicação”, afirma Letícia. Como exemplo, ela cita a falta de dipirona na forma de gotas e injetável que é utilizado como antitérmico e analgésico.
Lista medicamentos em falta:
- Amoxicilina: antibiótico que trata diversas infecções provocadas por bactérias;
- Prednisolona: anti-inflamatório pra reumatismo e infecções de pele;
- Azitromicina: antibiótico usado no tratamento de infecções respiratórias;
- Dipirona e Paracetamol: remédios comuns pra dor e febre;
- Dexametasona: usada pra asma e doença pulmonar obstrutiva crônica.






