Faltando cerca de uma semana para a conclusão do inquérito sobre o desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha, a investigação da Polícia Civil entra na fase final com foco na organização das provas já reunidas. O caso soma mais de 70 dias de diligências.
Segundo ele, o trabalho nesta última semana é essencialmente técnico e burocrático. “Estamos agora organizando as provas, formalizando relatórios que faltam e juntando ao inquérito. O trabalho agora é para terminar a formalização do que estava faltando. São relatórios complexos e extensos, mas o pessoal está dando um gás para terminar tudo o que já foi concluído, além de analisar e formalizar o restante dos relatórios”, afirmou. O inquérito já conta com centenas de páginas.
De acordo com a linha de investigação, o policial militar Cristiano Domingues Francisco teria premeditado o crime contra a ex-companheira, Silvana, em meio a desavenças relacionadas à educação do filho. A apuração indica que os homicídios dos pais dela, Isail e Dalmira, ocorreram em um segundo momento, após eles confrontarem o investigado diante do desaparecimento da filha.
A suspeita é de que, ao ser questionado pelo casal, o policial tenha cometido os crimes para evitar ser descoberto e sustentar a versão de um suposto desaparecimento acidental. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver.
Prisão preventiva em análise
O policial militar investigado está preso temporariamente desde 10 de fevereiro, com prorrogação já concedida. No início da semana, a Polícia Civil solicitou a conversão da prisão em preventiva, que não possui prazo determinado.
Segundo Spier, a decisão do Judiciário precisa ocorrer até esta quinta-feira. “Ainda não tivemos retorno do Judiciário. Até amanhã eles têm que nos informar sobre essa decisão. Ou a prisão se transforma em preventiva, ou ele será solto”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de o investigado ser liberado, o delegado demonstrou confiança na manutenção da prisão. “Eu acho que não (será solto), por toda a investigação que foi feita, pois conseguimos juntar um material bem robusto de evidências. Pela minha experiência, creio que será aceita (a prisão preventiva) pela Justiça”, disse.
Durante novo comparecimento à delegacia nesta semana, o investigado e seu advogado tiveram acesso a provas reunidas no inquérito, como registros que indicariam sua presença nos locais e movimentações suspeitas, incluindo o fato de o celular da vítima ter sido levado dentro da viatura durante a jornada de trabalho. Mesmo assim, ele optou por permanecer em silêncio.
Mesmo com o encerramento do inquérito, a Polícia Civil afirma que seguirá com diligências para localizar os corpos das vítimas, que ainda não foram encontrados. “Não tivemos novidades sobre os corpos. Já fizemos diligências em todos os locais, mas não localizamos”, explica.
Relembre o caso
Silvana desapareceu no dia 24 de janeiro. Na data, câmeras de segurança registraram duas entradas de um Volkswagen Fox vermelho no imóvel dela. Os registros mostram a chegada desse carro no portão, pelas 20h35min, com saída ocorrendo depois de aproximadamente oito minutos.
É possível ver na filmagem que, por volta das 21h28min, o carro branco de Silvana chega na casa, não saindo mais da garagem. Após, próximo às 23h30min, o tal Fox volta para a residência, onde fica por pouco mais de dez minutos, antes de deixar o local novamente. A 2ª DP de Cachoeirinha, à frente dos trabalhos, apura a identificação da placa desse automóvel, suspeitando de possível clonagem.
Isail e Dalmira desapareceram em 25 de janeiro, um dia depois da filha. Eles teriam sido alertados por vizinhos sobre a postagem do acidente. Ao tentarem registrar boletim de ocorrência, encontraram a DP fechada, decidindo então pedir ajuda ao ex-genro, por ele ser PM. Horas depois, foram vistos pela última vez, entrando em um veículo desconhecido.
Correio do Povo






