O 17º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), trouxe uma notícia relevante para o país: o número de mortes violentas atingiu o patamar mais baixo em 12 anos. De acordo com o relatório divulgado nesta quinta-feira (20), em 2022, o Brasil registrou 47.508 mortes violentas intencionais, que englobam casos de homicídio doloso, roubos seguidos de morte, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais.
O dado apresentado é o segundo menor da série histórica feita pelo fórum, ficando acima apenas do registrado em 2011. A marca segue uma tendência de queda no índice desde 2018.
Em termos relativos, a taxa de mortalidade também apresentou uma redução, caindo de 24 para 23,4 pessoas por grupo de 100 mil habitantes, o que representa um recuo de 2,4% em relação ao ano anterior. Segundo o anuário, houve uma diminuição na desaceleração da taxa em relação aos anos entre 2018 e 2021. No entanto, o destaque para a diminuição do número de mortes violentas não pode obscurecer as tensões e os problemas que ainda persistem no cenário brasileiro.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública alerta para a necessidade de não se iludir com a ideia de que o país está completamente seguro, já que a nação continua sendo marcada por profundas desigualdades raciais, de gênero, geracionais e regionais, que afetam diretamente as vítimas da violência letal.
Apesar da queda no número de mortes violentas, o Brasil ainda concentra cerca de um quinto dos homicídios do mundo, com uma taxa de homicídios dolosos de 19,5 pessoas a cada 100 mil habitantes. As mortes decorrentes de intervenção policial também registraram uma redução de 1,4%, totalizando 6.430 ocorrências.
A análise geográfica revela que o estado mais violento do Brasil em 2022 foi o Amapá, com uma taxa de mortes violentas intencionais de 50,6 por 100 mil habitantes, seguido pela Bahia, com 47,1 por 100 mil. Em contrapartida, São Paulo e Santa Catarina apresentaram índices bem mais baixos, com 8,4 e 9,1 mortes por 100 mil habitantes, respectivamente.
Quanto ao perfil das vítimas, o anuário destaca que não houve alteração significativa do padrão de um ano para o outro. A maioria esmagadora das vítimas, 91,4%, são homens, chegando a 99,2% entre os mortos em intervenções policiais.
Por fim, a pesquisa revela que 50,3% das vítimas eram adolescentes ou jovens com idade entre 12 e 29 anos. Esse grupo etário concentra 75% das mortes em decorrência de intervenções policiais, evidenciando a preocupante vulnerabilidade dos mais jovens à violência letal no país.
Com informações: Fernando Kopper
Foto: Polícia Civil
Fonte: Leouve






