A Polícia Civil concluiu o inquérito da Operação Rota de Fuga e indiciou três policiais penais pela fuga do líder da facção Bala na Cara, William Ramos Silveira, o “Will”, ocorrida em maio deste ano na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC). Os autos foram encaminhados ao Poder Judiciário e ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).
Conforme o inquérito conduzido pelo delegado do Departamento Estadual de Crimes Contra a Administração Pública (Dercap), Augusto Zenon, os três servidores foram indiciados pelos crimes de promoção de fuga de pessoa legalmente presa, inserção de dados falsos em sistema de informações da Administração Pública, falsificação de documento público, falsidade ideológica e prevaricação.
As investigações apontam que a fuga foi viabilizada por meio de um alvará de soltura falsificado, que simulava ter sido expedido pelo Poder Judiciário. A partir desse documento, também teria sido confeccionada uma guia de soltura fraudulenta, permitindo que o apenado deixasse a unidade prisional pela porta principal, sem despertar suspeitas dos servidores responsáveis pela conferência documental.
Segundo o inquérito, um policial penal que atuava no setor do INFOPEN foi o responsável por arquitetar e executar toda a fraude. Além de falsificar os documentos utilizados na saída do preso, ele teria realizado sucessivas inserções falsas no sistema informatizado da administração penitenciária, simulando movimentações inexistentes do apenado, como remoções para centro terapêutico, retornos fictícios, transferências entre módulos e encaminhamento para hospital. O objetivo, conforme a investigação, era mascarar a evasão e dificultar sua descoberta.
A Polícia Civil também identificou adulterações em documentos administrativos da PMEC, incluindo o Livro Físico do INFOPEN, com omissões e registros ideologicamente falsos destinados a alterar artificialmente o efetivo carcerário da unidade e esconder a fuga.
Além do servidor apontado como mentor da fraude, outros dois policiais penais foram indiciados por prevaricação. Conforme o Dercap, ambos tiveram conhecimento de inconsistências relacionadas à situação prisional de William, chegaram a realizar consultas específicas no sistema para verificar as divergências, mas deixaram de adotar as providências funcionais que lhes cabiam.
A investigação foi conduzida pela 1ª Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública Municipal e reuniu análises de registros do INFOPEN, imagens do sistema de videomonitoramento da penitenciária, auditorias da Polícia Penal, documentos administrativos, extração de celulares apreendidos e depoimentos de policiais penais, testemunhas e investigados.
William Ramos Silveira, apontado pela Polícia Civil como uma das principais lideranças da facção Bala na Cara e condenado por diversos crimes graves, segue foragido. A fuga ocorreu em 21 de maio deste ano.
Correio do Povo






