A família da corretora de imóveis Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, confirmou nesta sexta-feira (13) que um corpo encontrado esquartejado no interior de Major Gercino, no Vale do Itajaí, em Santa Catarina, é da gaúcha que estava desaparecida desde o início de março em Florianópolis. A identificação também foi confirmada pela Polícia Civil de Santa Catarina.
O reconhecimento ocorreu após familiares se deslocarem até Balneário Camboriú para confirmar a identidade da vítima.
Luciani havia sido vista pela última vez no dia 4 de março por vizinhos da kitnet onde morava, na região da Praia dos Ingleses. Após o desaparecimento, familiares passaram a estranhar mensagens enviadas pelo celular da corretora.
Segundo relatos, os textos apresentavam erros gramaticais incomuns para a vítima e ela passou a não atender as ligações da família. O irmão dela, Matheus Estivalet Freitas, que mora em Itapema, foi um dos primeiros a suspeitar de que algo estava errado.
Nas mensagens enviadas aos familiares apareciam palavras escritas de forma incorreta, como “respentem”, “persiguindo”, “precionando” e “reornizar”. Em uma delas, a remetente afirmava estar bem, mas dizia que estaria sendo perseguida por um ex-namorado.
De acordo com o irmão, o padrão das mensagens levantou a suspeita de que outra pessoa poderia estar usando o celular da corretora para se passar por ela. Desde 5 de março, Luciani também deixou de participar das conversas em grupos da família.
Corpo encontrado
O corpo foi localizado na tarde de quarta-feira (11), por volta das 13h30min, em um córrego na cidade de Major Gercino, município com cerca de 3 mil habitantes no Vale do Itajaí. O caso foi atendido por equipes da Polícia Militar de Santa Catarina, por meio do 31º Batalhão, e inicialmente registrado como homicídio.
A Polícia Civil de Santa Catarina informou que as investigações seguem em andamento e, até o momento, não divulgou detalhes sobre a dinâmica do crime.
Luciani nasceu em Alegrete, na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, e foi criada em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Suspeita presa
Na quinta-feira (12), a polícia prendeu uma mulher de 46 anos suspeita de envolvimento no caso. A detenção ocorreu em Florianópolis, em uma pousada onde ela se apresentava como responsável pelo estabelecimento.
No local, os policiais encontraram duas malas com pertences pessoais da vítima, além de objetos comprados em nome de Luciani após o desaparecimento, como dois arcos de balestra, um controle de videogame e uma televisão. O carro da corretora, um Hyundai HB20, também foi localizado.
A investigação começou a avançar após o rastreamento de compras feitas com o CPF da vítima depois do desaparecimento. As entregas levaram os policiais a endereços em Florianópolis.
Durante o monitoramento, os agentes abordaram um adolescente de 14 anos que retirava uma encomenda. Segundo ele, o pacote seria entregue ao irmão. A partir dessa informação, os investigadores chegaram à pousada onde estavam a suspeita, o irmão do adolescente e outra mulher.
Inicialmente, a prisão ocorreu pelo crime de receptação. No entanto, durante a audiência de custódia realizada ainda na quinta-feira, o juiz apontou indícios de homicídio e determinou a prisão temporária da mulher por 30 dias.
Em depoimento, a suspeita negou participação no desaparecimento de Luciani.
O Ministério Público de Santa Catarina também se manifestou e pediu que o caso passe a tramitar no Tribunal do Júri, por entender que há elementos que indicam a prática de crime contra a vida. Segundo o órgão, depoimentos colhidos na investigação apontam possíveis tentativas de ocultar pertences da vítima e dificultar o trabalho da polícia.
Fonte: O SUL






