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Quando o Inter trouxe o D´Alessandro, o Grêmio não trouxe ninguém

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A histórica dicotomia no Rio Grande do Sul, neste momento, coloca nas mais variadas esferas de discussão futebolística o gesto de um torcedor que despendeu uma quantia milionária para doar a Arena ao Grêmio. Em tese, o tema não tem nada a ver com Inter. A história e a prática, entretanto, sinalizam o contrário, embora nem todo mundo concorde que o assunto no estado respingue no lado vermelho.

“As respostas quando ocorreram foram com jogadores e não administrativas. Quando o Grêmio fez parceria com a ISL, o Inter não fez nada. Quando o Inter trouxe o D´Alessandro, o Grêmio não trouxe ninguém“, diz o ex-presidente Fernando Carvalho, que vai além: “O Inter tem que se mexer permanentemente e não por causa disso.”

Foi com Carvalho que o clube viveu os anos mais gloriosos e por ele também começou o processo de transformação do antigo Beira-Rio de cimento cinza para o pintado em vermelho. Foi com outro presidente também vencedor, no entanto, que o patrimônio da torcida se valorizou ainda mais.

“O Beira-Rio está em uma localização maravilhosa, sediou Copa do Mundo e vai sediar a Feminina. Acho que não tem de se preocupar com Grêmio, Flamengo etc” opina Giovanni Luigi, principal responsável pela maneira como o equipamento foi reformado. Distante nos últimos tempos do cenário tenso do futebol, o ex-dirigente é taxativo sobre a realidade do Inter: “Seguir as suas coisas, existem outras prioridades, como debater o modelo de gestão. Urge debater a SAF. Vamos continuar no atual modelo? Esse é o tema relevante”.

Quem já sentou na cadeira presidencial de um clube do tamanho do Inter conhece os ecos do barulho vindo do outro lado da força. O assunto rende pontos de vistas diferentes, mesmo para quem a perspectiva é sempre vermelha, como a do ex-presidente Marcelo Medeiros:

“Acredito que sim. Acho que vai motivar a diretoria e a comunidade colorada em um movimento no sentido de não perder a competitividade. A torcida do Grêmio está eufórica e empolgada. Há uma perspectiva de um aumento do quadro social também com o clube passando a administrar a sua casa”.

Não é por outra razão que não a busca por novos recursos que o Inter, nos últimos meses, instituiu comissões para desenvolver estudos de novas fontes de renda, como a SAF, por exemplo. O fato é que, independentemente da motivação, o futebol cobra caro para decisões erradas ou tardias. Talvez por isso, mesmo um tema do rival possa ser aproveitado.

Toda a vez que um lado se fortalece, obriga o outro a arranjar um jeito de se fortalecer. Historicamente é assim. Essa rivalidade faz com que os dois sejam grandes e continuem crescendo. Porto Alegre é uma das raras cidades a ter dois campeões do mundo”, relembra Pedro Paulo Záchia, ex-presidente colorado.
A história tem exemplos de que uma mexida no fogo de um lado respinga na panela do outro. Os estádios Baixada, Eucaliptos, Olímpico, Beira-Rio e Arena, em tempos diferentes, materializaram a força dos clubes. Foi assim ao longo do tempo no caso dos zagueiros Ancheta e Figueroa ou mais recentemente quando até um patrocinador acertava com um lado depois de fechar com o outro. Ou seja, um puxando o outro.

“Dentro da rivalidade saudável, nesse momento nós não teríamos o que o Inter responder ao Grêmio. Em termos de estádio, os dois têm os seus. Talvez para o Inter a resposta seria também angariar recursos para diminuir ou saldar a sua dívida”, prospecta o comentarista da Rádio Guaíba, Rogério Amaral, conhecedor da dicotomia gaúcha. Razão pela qual pondera com uma ressalva o exemplo de SAF sem a propriedade do futebol. “Aí o torcedor do Grêmio diria que o Inter não teria time”.

*Correio do Povo

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