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Trump promete operações terrestres dos EUA na Venezuela “muito em breve”

Foto : ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma escalada nas ações contra a Venezuela, afirmando que o governo americano intensificará os ataques contra narcotraficantes e revelando que operações terrestres no país começarão “muito em breve”. As declarações foram feitas durante um evento no Salão Oval, na noite desta quinta-feira (11).

Apreensão de navio

Questionado por repórteres sobre a recente apreensão de um navio petroleiro perto da costa da Venezuela, Trump justificou a operação e acusou Caracas de ter enviado criminosos intencionalmente aos EUA como imigrantes. O presidente adotou um tom de retaliação: “[A ação contra a Venezuela] é sobre muitas coisas, eles nos trataram de forma ruim, e agora nós não estamos tratando eles tão bem”.

Trump afirmou ter reduzido em 92% a entrada de drogas pelo mar nos EUA desde o início do abate de embarcações no Caribe e no Pacífico. Ele, então, elevou o tom da ameaça militar: “E nós vamos começar [a agir] por terra também. Vai começar por terra muito em breve”, acrescentou o presidente americano.

Resposta de Caracas

Na quarta-feira (10), os Estados Unidos apreenderam um grande navio petroleiro na costa da Venezuela, em meio ao aumento das tensões. “Acabamos de apreender um petroleiro na costa da Venezuela, um grande petroleiro, muito grande — o maior já apreendido, na verdade”, disse Trump a jornalistas. A procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, afirmou que o navio era utilizado há anos pela Venezuela e pelo Irã para transportar petróleo, contornando sanções internacionais. Ela divulgou um vídeo que mostra a Guarda Costeira americana apreendendo a embarcação.

O governo da Venezuela reagiu em comunicado oficial, classificando a apreensão como um “roubo flagrante e um ato de pirataria internacional”. Caracas alegou que a agressão visa os recursos naturais do país: “Sempre se tratou dos nossos recursos naturais, do nosso petróleo, da nossa energia, dos recursos que pertencem exclusivamente ao povo venezuelano”.

Escalada militar na região

A mobilização militar dos EUA na região tem sido crescente. Em agosto, Washington enviou uma flotilha de navios e aviões de combate ao Caribe, oficialmente com o argumento de lutar contra o narcotráfico. Caracas, contudo, considera que essa mobilização busca, na realidade, derrubar o ditador Nicolás Maduro e se apropriar das reservas de petróleo do país.

Desde setembro, as forças armadas americanas lançaram 22 ataques conhecidos contra embarcações na região, resultando na morte de mais de 80 pessoas, segundo o governo Trump. O presidente também ordenou um aumento das forças americanas na região, com mais de 15.000 soldados e uma dúzia de navios no Caribe. A operação de quarta-feira ocorreu no mesmo dia em que o Prêmio Nobel da Paz foi concedido à dissidente venezuelana María Corina Machado, a quem Trump é aliado.

Embora o governo americano tenha desenvolvido uma série de opções de ação militar, Trump expressou repetidamente reservas sobre uma operação para derrubar Maduro por medo de um possível fracasso. Contudo, suas recentes ordens de intensificação, somadas à apreensão do petroleiro e às ações secretas autorizadas, sinalizam uma política de pressão máxima que agora ameaça expandir-se para o território venezuelano.
Correio do Povo

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