Especialista explica importância da vacinação e desmistifica fake news sobre o tema
A vacinação em crianças é extremamente importante para a prevenção de doenças e controle do contágio em todo mundo. Inclusive, muitas doenças foram erradicadas, graças a campanhas de imunização e calendários vacinais desenvolvidos por meio dos ministérios da saúde dos países.
O problema é que, uma onda de fake news tem aumentado o número de pais que decidem não vacinar seus filhos, conforme é orientado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Para a pediatra de Passo Fundo, Dra. Luciana Helbling Bastian, existem diversos fatores predominantes para essa mobilização contra a imunização.
“Como as doenças infantis foram erradicadas há muito tempo não existe mais aquela memória como era o sofrimento no enfrentamento. Exemplo, a dificuldade da paralisia infantil e a mortalidade do sarampo e difteria. Como as pessoas não vivenciaram isso, elas não tem noção da gravidade de não vacinar uma criança”, pontua.
Além disso, Dra. Luciana aponta que o movimento antivacina tem ganhado força entre os pais, que sem conhecimento adequado, acreditam em inverdades sobre a imunização.
“Tem pessoas que acham que a vacina é uma coisa artificial e que é melhor deixar a natureza funcionar ao seu critério, ou seja, mais natural se contaminar. Outro medo são os possíveis efeitos colaterais, mesmo que não comprovados. As fake news acabam contribuindo para que essa onda de antivacinas seja cada vez mais proveniente”, destaca.
Vacinas causam autismo?
Dra. Luciana também esclarece a informação que sugeria que a vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, a caxumba e a rubéola, seria a causadora do autismo. Ela explica que a história surgiu por meio de um pequeno estudo de Andrew Wakefield, mas que logo em seguida, outras pesquisas não apontaram que não havia relação entre o autismo e o imunizante.
A pediatra explica que a notícia tomou grandes proporções, mesmo após a história ser esclarecida. “Essa história é totalmente sem sentido, já ocorreu retratação e mesmo assim as pessoas continuam compartilhando essa informação”, esclarece.
Vacinação da Covid-19 em crianças
As vacinas disponíveis atualmente contra a Covid-19 ainda não são recomendadas e aprovadas por órgãos internacionais para ser aplicada em crianças e adolescentes. De acordo com Dra. Luciana, ainda não foram desenvolvidos estudos suficientes sobre o uso do imunizante neste grupo. “Tem vários estudos em andamento, todas as vacinas são extremamente seguras, mas é preciso que eles sejam finalizados”, diz.
No mundo, realizam testes em crianças os imunizantes Oxford/AstraZeneca, Sinovac Biotech, Pfizer/BioNTech e Moderna. Ainda, Johnson e o Instituto Gamaleya, responsável pela vacina Sputnik V, já anunciaram, sem dar uma data, que pretendem começar seus testes clínicos em menores de idade nos próximos meses.
Principais vacinas indicadas para crianças
Ao nascer
- BCG Dose única
- Hepatite B
2 meses
- Pentavalente 1.ª dose (Tetravalente + Hepatite B 2.ª dose)
- Poliomielite 1.ª dose (VIP)
- Pneumocócica conjugada 1.ª dose
- Rotavírus 1.ª dose
3 meses
- Meningocócica C conjugada 1.ª dose
4 meses
- Pentavalente 2.ª dose (Tetravalente + Hepatite B 2.ª dose)
- Poliomielite 2.ª dose (VIP)
- Pneumocócica conjugada 2.ª dose
- Rotavírus 2.ª dose
5 meses
- Meningocócica C conjugada 2.ª dose
6 meses
- Pentavalente 3.ª dose (Tetravalente + Hepatite B 3.ª dose)
- Poliomielite 3.ª dose (VIP)
- Influenza (1 ou 2 doses anuais)
9 meses
- Febre Amarela (dose única)
- Influenza (1 ou 2 doses anuais)
12 meses
- Pneumocócica conjugada reforço
- Meningocócica C conjugada reforço
- Tríplice Viral 1.ª dose
- Influenza (1 ou 2 doses anuais)
15 meses
- DTP 1.º reforço (incluída na pentavalente)
- Poliomielite 1º reforço (VOP)
- Hepatite A (1 dose de 15 meses até 5 anos)
- Tetra viral (Tríplice Viral 2.ª dose + Varicela)
- Influenza (1 ou 2 doses anuais)
4 anos
- DTP 2.º reforço (incluída na pentavalente)
- Poliomielite 2º reforço (VOP)
- Varicela (1 dose)
- Influenza (1 ou 2 doses anuais)
9 – 14 anos
- HPV 2 doses
- Meningocócica C (reforço ou dose única)






