Em 2025, o Rio Grande do Sul celebra um marco histórico: os 150 anos da imigração italiana. Foi em maio de 1875 que os primeiros imigrantes chegaram oficialmente ao estado, trazendo consigo cultura, hábitos e tradições que, pouco a pouco, se fundiram aos costumes locais. Ao mesmo tempo em que se adaptaram à nova terra, também transformaram a paisagem social, econômica e cultural da região.
Deixaram marcas profundas em diferentes áreas: da agricultura à indústria, da gastronomia à arquitetura, e também no turismo. Afinal, muitos dos roteiros mais visitados do estado nasceram do legado italiano, especialmente na Serra Gaúcha.
🍷 Casa Valduga: pioneirismo em enoturismo
Entre as famílias que protagonizaram essa história está a Famiglia Valduga, que chegou ao Brasil em 1875 e se estabeleceu no Vale dos Vinhedos, em Bento Gonçalves. Com raízes fincadas na vitivinicultura, a família deu origem ao primeiro complexo enoturístico do país.
Foi em 1992 que a Casa Valduga abriu as portas aos visitantes. A ideia era simples e, ao mesmo tempo, visionária: transformar o vinho em experiência. Os turistas passaram a percorrer as caves, conhecer de perto o processo produtivo e degustar rótulos harmonizados com a gastronomia local. Essa iniciativa, que hoje parece natural, foi a semente do enoturismo no Brasil.
Poucos anos depois, em 1999, a família inovou mais uma vez ao promover a abertura oficial da vindima, resgatando a tradição italiana da colheita em formato de grande celebração, reunindo pessoas de todas as regiões do país.
🍲 Gastronomia e hospitalidade
Outro ponto que reforça o vínculo entre turismo e imigração italiana é a gastronomia. No Complexo Enoturístico Casa Valduga, a culinária tem papel central. O Ristorante Maria Valduga, por exemplo, presta homenagem à matriarca e serve a tradicional Sequência Italiana. Já o LUI Gastrô e o LORO Cucina unem contemporaneidade e autenticidade em pratos inspirados na Itália. Para adoçar, há ainda o NOI Gelato, a primeira gelateria dentro de uma vinícola no Brasil, com sabores tradicionais e versões alcoólicas criativas.
O complexo também oferece pousadas aconchegantes entre os vinhedos. Cada hospedagem leva inspiração em rótulos, pessoas e elementos da história da família, proporcionando conforto e uma atmosfera que convida ao descanso, quase como os vinhos que repousam nas caves antes de serem servidos.
✨ Uma experiência que conecta viajantes
Durante uma visita à Casa Valduga, tive a oportunidade de conhecer um casal que veio do Acre para o Vale dos Vinhedos exclusivamente para conhecer a Casa Valduga, que já conheciam de nome e tradição. Essa história mostra como o turismo enogastronômico gaúcho extrapolou fronteiras, atraindo pessoas de diferentes partes do Brasil (e do mundo) em busca de vivências autênticas.
🥂 Celebração dos 150 anos
No final de agosto, a Famiglia Valduga promoveu um evento histórico para marcar os 150 anos da chegada ao Brasil. O evento reuniu clientes, autoridades, imprensa e parceiros para vivenciar um dia repleto de experiências, cultura, memória e lançamentos enológicos.
A programação incluiu um tour conduzido pela própria família, apresentação de rótulos especiais e a exibição dos três primeiros episódios do documentário A Voz de Quem Faz.
Na ocasião, os irmãos João, Juarez e Erielso Valduga reforçaram a importância da memória e da continuidade.
“Foi nosso pai quem nos preparou para o trabalho. O lema dele era simples: antes de fazer duas garrafas de vinho, faça uma, mas bem-feita”, destacou Juarez.
🍾 Rótulos que eternizam a data
Dois lançamentos marcaram a celebração. O primeiro foi o espumante Casa Valduga 130 edição comemorativa com 150 meses de maturação, criado exclusivamente para a ocasião. O rótulo teve uma edição limitada de apenas 1.875 garrafas, em homenagem ao ano de chegada da família ao Brasil.
O segundo foi o Praeteritum, elaborado a partir de uma técnica inovadora que desidrata as uvas antes da vinificação, resultando em um vinho estruturado, complexo e sofisticado.
✨ Um legado que se renova
Ao longo de 150 anos, a Famiglia Valduga se reinventou e expandiu. Hoje, o grupo reúne seis marcas estratégicas: Casa Valduga, Domno Wines, Ponto Nero, Casa Madeira, Brewine Leopoldina e Vinotage. E se consolidou como referência nacional e internacional.
Além de posuir a maior cave de espumantes das Américas, com capacidade para mais de seis milhões de garrafas, a vinícola foi a primeira brasileira a figurar entre as 100 melhores do mundo, segundo o World’s Best Vineyards 2024. Em 2025, o reconhecimento se ampliou com Eduardo Valduga eleito Enólogo do Ano pelo Guia Descorchados.
Atualmente, o grupo soma cerca de 140 hectares de vinhedos no Sul do Brasil, produzindo mais de 5 milhões de litros por ano e contabilizando quase 2 mil premiações em concursos nacionais e internacionais. Só entre 2024 e 2025, o Complexo Enoturístico recebeu cerca de 129 mil visitantes, consolidando-se como um destino essencial para quem deseja conhecer o legado da imigração italiana.
*Correio do Povo






