O Irã afirmou neste sábado que voltou a fechar a passagem de navios pelo Estreito de Ormuz. Segundo a rede CNN, Teerã alegou “repetidas quebras de confiança” por parte dos Estados Unidos no cessar-fogo para retomar a restrição.
O controle do Estreito está novamente “sob a gestão e controle rigorosos das forças armadas”, até que os EUA encerrem o bloqueio a navios que saem e se destinam aos portos iranianos, disse ele.
Após o fechamento, uma mensagem escrita do guia supremo Mojtaba Khamenei disse que a Marinha iraniana está preparada para infligir “novas derrotas” ao inimigo.
Em uma mensagem publicada em seu canal no Telegram, Mojtaba Khamenei, que não aparece em público desde antes do início da guerra, afirmou que a “corajosa Marinha do Irã está preparada para fazer com que os inimigos provem o gosto amargo de novas derrotas”.
O anúncio do Irã aconteceu no momento em que diversas peças diplomáticas se movimentam para tentar acabar com a guerra no Oriente Médio, com um acordo que vá além do cessar-fogo de duas semanas que entrou em vigor em 8 de abril entre Irã e Estados Unidos.
Na manhã de sábado, o site MarineTraffic mostrava uma tímida retomada do tráfego comercial em Ormuz: pouco mais de 10 navios circulavam na região, incluindo petroleiros, mas por volta das 9h00 GMT (6h00 de Brasília) pelo menos dois pareciam dar meia-volta.
Antes da guerra, quase 120 navios atravessavam diariamente o estreito, segundo a publicação especializada Lloyd’s List.
Notas conflitantes sobre acordo
Na sexta-feira, o Irã permitiu a retomada do trânsito pela passagem marítima após a confirmação da trégua entre Líbano e Israel. Em uma conversa telefônica com a AFP, o presidente Donald Trump assegurou que não havia “pontos conflitivos” para concluir um acordo de paz.
Ademais, disse que o Irã havia concordado em entregar seu urânio enriquecido, uma questão-chave das negociações.
“Vamos conseguir isso [recuperar o urânio enriquecido] entrando no Irã, com muitas escavadeiras”, disse Trump durante um discurso para apoiadores do movimento conservador Turning Point USA em Phoenix, Arizona.
O Irã, no entanto, disse que o seu urânio enriquecido não será levado a lugar nenhum. Também advertiu que, se os navios de guerra americanos interceptarem embarcações procedentes de portos iranianos, poderia fechar novamente o Estreito de Ormuz, por onde transita um quinto da produção global de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).
“O que eles chamam de bloqueio naval terá definitivamente a resposta apropriada do Irã. Um bloqueio naval é uma violação do cessar-fogo”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei.
As notas conflitantes ocorreram em um dia classificado por Trump de “GRANDE E BRILHANTE”, com uma série de publicações nas redes sociais nas quais ele elogiou o Paquistão, mediador das negociações, e os aliados do Golfo.
Em sua entrevista telefônica com a AFP, Trump falou sobre o acordo, que “parece que vai ser algo muito bom para todos”. E, ao ser perguntado sobre quais questões espinhosas ainda estavam pendentes, respondeu: “Não há pontos conflitivos, absolutamente nenhum”.
A guerra no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro com os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, que respondeu com lançamentos de mísseis e drones no Golfo e o fechamento desse estreito estratégico para o transporte de hidrocarbonetos.






