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Efeito do El Niño? RS entra em alerta para período de temporais a partir de quinta-feira

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Sequência de dias de mau tempo deve seguir até a próxima semana. Meteorologistas dizem que é cedo para atribuir fenômeno ao aquecimento do Pacífico

Os gaúchos devem se preparar para um longo período de tempo severo a partir de quinta-feira (16), quando uma combinação entre umidade elevada, ventos fortes em diferentes níveis da atmosfera e a permanência de uma frente fria atuando sobre o Estado ampliará o risco diário de tempestades até a semana seguinte.

A Climatempo sustenta que as estimativas sobre a distribuição e a intensidade da chuva ainda podem variar conforme a dinâmica da atmosfera nos próximos dias. A Defesa Civil do Estado já vem monitorando a provável virada no tempo e deverá divulgar boletins de atualização

A expectativa de mau tempo se segue a um temporal que atingiu a Região Metropolitana no final de semana e deixou pelo menos 720 pessoas desalojadas em Eldorado do Sul. Após uma breve trégua, devem ocorrer novas tormentas em diferentes partes do Estado.

O meteorologista da Climatempo Vitor Takao Suganuma afirma que é precoce atribuir o cenário atual exclusivamente aos efeitos do El Niño — aquecimento das águas superficiais do Pacífico acima da média histórica, configurado nas últimas semanas, que poderá ser um dos mais intensos das últimas décadas. O fenômeno costuma elevar o volume de chuva no sul do país.

— Temos o El Niño como pano de fundo na dinâmica da atmosfera global. Então, podemos enxergar, sim, uma certa influência do fenômeno neste episódio. Ainda assim, com muita cautela, pois é complicado atribuir diretamente o El Niño a um episódio de chuva extrema em específico, tendo em vista outros componentes que atuam em conjunto — analisa Suganuma.

Meteorologista da Defesa Civil do Estado e da Climatempo, Cátia Valente afirma que o principal combustível das tormentas será um corredor de umidade que parte do norte do Brasil e chega até os gaúchos:

— Temos a combinação de uma frente fria com umidade da Amazônia canalizada para o sul do Brasil. A influência do El Niño começa aos poucos. Isso não é uma consequência dele, mas de eventos típicos do inverno. Entretanto, cada vez mais, a influência dele vai aumentando.

As primeiras áreas de instabilidade devem se formar entre o fim da tarde e o começo da noite de quinta nas regiões Oeste, Campanha e Centro. Nessa fatia do Estado, há condições para temporais com chuva, rajadas de vento entre 60 km/h e 80 km/h, alta incidência de raios e possibilidade de granizo. Como resultado, também pode haver queda de árvores, danos à rede elétrica e interrupções pontuais no fornecimento de energia.

O cenário deve se agravar na sexta-feira (17), quando as tempestades podem alcançar as regiões Centro, Vales do Rio Pardo, do Taquari e do Sinos, além da Região Metropolitana. A chuva pode ser intensa e somar grandes volumes em pouco tempo — o que eleva o risco de alagamentos temporários, especialmente em áreas urbanas com drenagem deficiente.

Também há perigo de raios, granizo e rajadas de vento entre 70 km/h e 90 km/h. Há possibilidade de vento persistente e intenso na área de Santa Maria mesmo antes da chegada da chuva

Frente fria avança no final de semana

No final de semana, a frente fria avança de forma gradual em direção ao norte do Estado e espalha as áreas de tempo severo. No sábado (18), o alerta se estende para Missões, Região Central, Planalto, Norte e os Vales do Rio Pardo e do Taquari.

Há risco de chuva forte, alagamentos, transbordamentos de córregos, granizo e grande quantidade de raios. Nas cidades próximas à divisa com Santa Catarina, a possibilidade de temporais tende a ser menor, mas não é descartada.

No domingo (19), o sistema deve ganhar força sobre a metade norte do Rio Grande do Sul, com maior atenção para Planalto, Norte e Serra. Nessas áreas, são esperadas condições para chuva intensa, granizo isolado e rajadas de vento que podem superar os 80 km/h. A instabilidade não deve se encerrar com o final de semana.

Na segunda-feira (20), ainda pode ocorrer precipitação intensa nas Missões, no Planalto, no Norte e na Serra. A persistência da chuva aumenta o risco de alagamentos, elevação de córregos e transtornos à população. Os índices de instabilidade também continuam elevados, mantendo condições para rajadas fortes de vento e possíveis interrupções no fornecimento de energia.

Conforme a Climatempo, nos dias seguintes a tendência é de continuidade da chuva. Como os volumes e as regiões atingidas podem variar, o cenário será reavaliado a cada atualização meteorológica. A Defesa Civil do Estado informou que deverá emitir avisos em breve com detalhamento das regiões sob maior perigo à medida que as previsões fornecerem dados mais precisos

GZH

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