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Classificação de PCC e CV por EUA ameaça combate ao crime e pode afetar até o pix, diz governo

Foto: Arquivo
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O governo do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas por parte dos Estados Unidos ameaça o combate ao crime organizado e citou até o Pix como algo que pode ser afetado pela ação.

Foi a primeira manifestação pública oficial do Palácio do Planalto sobre o assunto desde que o Departamento de Estado norte-americano divulgou nota sobre o assunto na quinta-feira, 28. A nota foi divulgada no início da tarde desta sexta, 29, pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência.

No documento, o governo afirma que “medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime”. “Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias.

Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros. Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao País”, disse o Palácio do Planalto.

O governo afirmou que tem “travado combate permanente contra o PCC, o Comando Vermelho e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias” e que “enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro”.

O principal argumento por parte do governo brasileiro, respaldado por especialistas em segurança pública, é de que as facções criminosas, ao contrário de organizações terroristas, como o Estado Islâmico ou a Al Qaeda, não têm motivos ideológicos, políticos ou religiosos, mas sim a busca pelo lucro.

“O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional”, afirmou o governo.

Críticas à família Bolsonaro

O governo Lula criticou a família Bolsonaro por ter atuado junto ao governo norte-americano para que as duas maiores facções criminosas do Brasil fossem classificadas como organizações terroristas. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com outras autoridades do governo norte-americano nesta semana para discutir o assunto.

A Secom disse que “a segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos”. Falou que “falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, (…) pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros”.

Defesa de operações conjuntas

O governo brasileiro defendeu operações conjuntas. Disse que “qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda” e que o Brasil segue disposto “a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos”.

“Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia”, ressaltou. “A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos.

Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança”, completou o comunicado.
Correio do Povo

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