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Dentista é preso suspeito de manter mulher em cárcere privado e obrigá-la a fazer tatuagens com seu nome

Foto : Polícia Civil
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Polícia Civil deflagrou, na manhã de terça-feira a Operação Ötzi, que resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão e na prisão preventiva de um homem de 40 anos, suspeito de manter a companheira em cárcere privado e submetê-la a uma série de violências. A ação foi coordenada pela delegada da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Esteio, Marcela Smolenaars, com apoio da Polícia Civil de Itapema, em Santa Catarina.

De acordo com a investigação, a vítima, de 39 anos, relatou ter vivido por cerca de quatro meses sob um ciclo contínuo de violência física, psicológica e moral, além de restrição severa de liberdade. O casal residia em Itapema, onde, segundo a apuração, o suspeito controlava todos os aspectos da vida da mulher, impedindo contato com familiares e limitando o acesso a telefone e internet.

Conforme a polícia, as agressões eram frequentes e incluíam o uso de objetos, ameaças de morte e humilhações. Para a delegada Marcela, chamou a atenção o fato de que a vítima estava agredida fisicamente da cabeça aos pés e foi obrigada a fazer 10 tatuagens com o nome do agressor, em diferentes partes do corpo, inclusive no pescoço.

A mulher conseguiu fugir após o suspeito ingerir medicação para dormir. Com ajuda de terceiros, retornou ao Rio Grande do Sul, onde procurou a polícia. Ela deixou no local todos os seus pertences, incluindo o veículo, que foram posteriormente recuperados durante a operação.

As investigações também apontaram que o homem possuía armas de fogo em casa, o que elevava o risco à integridade da vítima. Durante o cumprimento dos mandados, inclusive em um consultório odontológico do investigado, foram apreendidas duas armas, além de dispositivos eletrônicos e outros materiais. Segundo a Polícia Civil, o suspeito possui antecedentes por crimes semelhantes em Santa Catarina, envolvendo outras mulheres. Há registros de ameaça, lesão corporal e cárcere privado, com relatos que indicam padrão de comportamento violento, controlador e reiterado.

Diante da gravidade dos fatos e do risco de repetição dos crimes, a Justiça de Esteio autorizou a prisão preventiva. O investigado foi detido e, em interrogatório, optou por permanecer em silêncio.

Para o delegado regional de Canoas, Cristiano Reschke, o caso evidencia a necessidade de resposta rigorosa. “Nenhum tipo de violência pode ser tolerado, e em se tratando de violência contra a mulher, o caso em questão é de causar perplexidade mesmo nos policiais mais experientes, pela crueldade em impor um sofrimento e marcas como se estivesse tratando de um animal de sua propriedade, como gado que sofre marcações para identificar o dono. A resposta tem que ser rápida e exemplar e assim foi a ação hoje”, afirmou.

Correio do Povo

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