Uma denúncia anônima, um acesso já aberto na estrutura da agência e horas de monitoramento silencioso permitiram que a Polícia Civil frustrasse uma tentativa de furto ao Banco do Brasil de Ivoti, no Vale do Sinos, no último sábado. A investigação revelou que os criminosos chegaram a invadir o prédio durante a madrugada de sábado, desistiram da ação e retornaram horas depois para concluir o plano. Desta vez, levavam caixas de papelão utilizadas como um túnel improvisado para tentar evitar que o sistema de detecção de movimento identificasse a presença deles.
Segundo o delegado André Serrão, o caso começou quando a própria comunidade local suspeitou da movimentação e acionou a Polícia Civil. A informação chegou inicialmente à 3ª Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo e foi repassada à equipe especializada do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC). “Um morador percebeu que a movimentação que ocorria era incompatível com a hora e com o dia, nas proximidades da agência bancária”, explicou.
Ao chegar ao banco, os policiais encontraram uma grade lateral danificada e um acesso aberto na parede que liga o pátio externo ao interior da agência. A partir dali, foi constatado que o grupo já havia entrado no prédio, mas abandonado a ação antes de alcançar o cofre.
A Polícia Civil então analisou imagens de câmeras e confirmou que os suspeitos haviam deixado o local sem levar nada. Em vez de encerrar a ocorrência, os agentes decidiram permanecer monitorando discretamente a agência durante todo o sábado. “Continuamos as diligências porque acreditávamos que retornariam para concluir a ação”, afirmou Serrão. A aposta se confirmou e, por volta das 21h, os criminosos retornaram.
Conforme Serrão, o grupo levou caixas de papelão que foram unidas para formar uma espécie de túnel. Câmeras internas de segurança flagraram a ação. “Eles se valeram desse túnel de papelão para evitar que a câmera captasse o movimento e acionasse o sistema de alarme”, explicou.
De acordo com o delegado, a estratégia chegou a funcionar do ponto de vista do sistema eletrônico, já que o alarme não foi disparado. Os investigadores, porém, já acompanhavam toda a movimentação e aguardaram o momento em que os suspeitos avançavam em direção à sala do cofre para realizar a abordagem.
Três homens foram presos em flagrante dentro da agência. Um adolescente de 16 anos também foi apreendido. Outro integrante do grupo permaneceu do lado de fora, monitorando a movimentação nas imediações do banco, função conhecida no meio criminoso como “olheiro”, segundo a investigação.
Ligação com ataque em Sapiranga
A investigação também identificou indícios de que parte dos presos integra o grupo suspeito de participar do furto a uma agência bancária em Sapiranga, registrado em junho. Conforme Serrão, a denúncia que levou à prisão em Ivoti não tinha relação com aquele caso, mas os elementos reunidos ao longo da investigação apontam para a atuação de alguns dos mesmos envolvidos. “Não é o grupo completo nem o original, mas identificamos que parte dos envolvidos também participou da ação em Sapiranga”, afirmou.
Dos três adultos presos em flagrante durante a tentativa de furto, apenas um teve a prisão preventiva mantida pela Justiça. Os outros dois foram colocados em liberdade.






