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El Niño é confirmado e coloca o Brasil em alerta — fenômeno pode ser um dos mais intensos da história

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A confirmação oficial do retorno do El Niño voltou a colocar o agronegócio brasileiro em estado de atenção. A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) confirmou nesta semana que o fenômeno já está oficialmente estabelecido no Oceano Pacífico Equatorial, e seus efeitos podem começar a ser sentidos no Brasil nas próximas semanas.

Intensidade pode dobrar
Segundo o novo relatório da NOAA, a probabilidade de o evento atingir intensidade muito forte até o fim de 2026 subiu de 37% para 63%, praticamente dobrando em poucas semanas. Essa classificação ocorre quando a temperatura da superfície do Pacífico Equatorial ultrapassa 2°C acima da média histórica. Os modelos atuais indicam que o aquecimento pode chegar próximo de 2,5°C, colocando este evento entre os mais intensos das últimas décadas — podendo até superar o episódio de 2015/2016.
Sul do Brasil: chuvas em excesso
Os primeiros efeitos já começam a aparecer principalmente na Região Sul. Meteorologistas projetam a formação contínua de sistemas de baixa pressão associados a ciclones extratropicais, com previsão de até cinco eventos em um intervalo de aproximadamente 15 dias, aumentando o risco de temporais, alagamentos e interrupções logísticas. No Paraná, os acumulados podem ultrapassar 200mm, podendo chegar próximo de 300mm até o fim de junho, agravando solos já saturados.
Milho safrinha e feijão em alerta

O excesso de chuva preocupa especialmente produtores em fase de colheita de milho segunda safra e feijão, principalmente no Paraná e em parte do Mato Grosso do Sul, onde a umidade excessiva pode comprometer a qualidade dos grãos e dificultar a entrada de máquinas no campo.

Centro-Oeste, Norte e Nordeste: risco de atraso nas chuvas
Enquanto o Sul deve enfrentar excesso hídrico, outras regiões podem sofrer o efeito contrário, com redução no volume de chuvas e possível atraso no início do plantio da safra de verão 2026/27. As projeções indicam que as chuvas regulares devem se firmar apenas entre o fim de outubro e início de novembro, com ondas de calor intensas em setembro, o que pode prejudicar a semeadura da próxima safra de soja e milho.
Pecuária também sente os efeitos
No Sul, o excesso de chuva pode prejudicar o manejo de pastagens, dificultar o transporte de animais e elevar riscos sanitários ligados à umidade. Já no Centro-Oeste e Norte, ondas de calor mais intensas e períodos de estiagem podem afetar a qualidade das pastagens e aumentar a necessidade de suplementação alimentar. Um efeito histórico do El Niño é também a redução de geadas no inverno no Centro-Sul do país.
E pode se estender até 2027
A NOAA já monitora a possibilidade de o fenômeno se prolongar para 2027, cenário que poderia aumentar significativamente o risco de estiagens severas, queimadas e incêndios florestais, especialmente nos estados do Norte e Centro-Oeste.
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