“Passei de marido para pai”. Essa é a frase utilizada pelo senhor Carlos Alberto Franciosi, o seu Chico, 63 anos, que há mais de 2 anos deixou a vida de caminhoneiro e os demais prazeres para cuidar da esposa, Maria Luisa Sanini Franciosi, 67 anos, que foi diagnosticada com Alzheimer.
Nosso destaque desta semana é para essa linda história, que merece ser compartilhada para marcar o Dia Mundial da Doença de Alzheimer, comemorado no último dia do inverno no Brasil, 21 de setembro.
Chico deixou no início do ano de 2020 de trabalhar, participar de encontros com os amigos e de jogar cartas, para se dedicar exclusivamente ao cuidado da esposa, com quem está casado há 35 anos.
O mal de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa ainda sem cura, mas a chance de controlá-la é maior se ela é detectada precocemente. Ocorre na terceira idade e seu sintoma mais comum é a perda da memória, mas compromete ainda o comportamento e pensamento do paciente.
Todos os dias é uma nova situação aqui em casa, tem dias que ela quer ajudar a fazer algo como varrer a casa por exemplo, e obvio que eu permito, mas sei que aquilo não vai sair certo, pois ela começa na porta dos fundos e em seguida volta para lá, sem ter um padrão de como fazer. Mas essas coisas são normais para quem é acometido pela doença, cabe a mim entender, deixar que ela faça e depois refazer conforme for preciso. Pois ela não tem culpa.” Explicou Chico.
Ele lembra que os primeiros sintomas iniciaram quando os dois viajavam juntos, prática que cultivaram por pelo menos 25 anos. “Ela sempre me acompanhou no dia a dia, saímos juntos de madrugada e ela sempre estava comigo, ajudando em tudo. Porém, de um tempo pra cá eu notei algumas atitudes estranhas dela no dia a dia, o esquecimento e a confusão em fazer algo fácil e principalmente a irritação aumentar. Preocupado procurei ajuda no posto de saúde e foi então que fui orientado pelo Altieris que poderia ser Alzheimer e após realizar as consultas se confirmou.” Explicou o companheiro de Luísa.
Diante da afirmativa do Alzheimer, a rotina do casal mudou, foi então que Francisco decidiu vender o caminhão que trabalhava para se dedicar totalmente aos cuidados da companheira. “Quando os sintomas começaram a se agravar, o médico me disse que eu precisava pensar em alguma forma de cuidar dela. Como nós não temos filhos eu entendi que aquele era o momento de eu retribuir todo o companheirismo que ela teve comigo em nossa união. Foram inúmeras viagens passando, frio, fome, sede e sono. Como forma de agradecimento eu abdiquei da minha vida para viver a dela e dar condições de que ela continue ao meu lado todos os dias.” Afirmou Franciosi.
O Alzheimer tem quatro fases principais: leve, moderada, grave e terminal. De acordo com Camargos, a primeira fase pode passar despercebida pelos familiares mais próximos, que é uma etapa de esquecimentos esporádicos e abandono de ciclos sociais. Geralmente, o diagnóstico é dado na fase moderada, que é quando o paciente não consegue mais trabalhar, se esquece de coisas simples e perde a noção de espaço e lugar. “Em relação a essa doença de Alzheimer, a pessoa volta a ser criança totalmente dependente de tudo. Ela é meu ‘bebezão’. Eu encaro com honra o privilégio de poder cuidar como ela cuidou de mim. Mesmo que às vezes não se lembre de mim, eu sei o quanto fui amado por ela. “, diz.
Estudos apontam que para aqueles que lidam com pessoas com Alzheimer doses extras de amor e de carinho são necessárias. Ao se deparar com situações como falta de memória; dificuldade para encontrar palavras que descrevem um objeto ou situação; falta de orientação ou de senso de direção e diminuição no interesse pela profissão e pela família, ter empatia e cuidado é fundamental.
Por isso, nas comunicações com pacientes com Alzheimer, as pessoas devem seguir as recomendações abaixo:
• nunca discuta, brigue ou grite;
• otimize a comunicação: evite ruídos e distrações;
• não tenha vergonha, apoie quem tem a doença e está precisando de ajuda;
• não repreenda, busque sempre tranquilizar;
• reformule as perguntas se a mensagem não for compreendida;
• Isso faz com que as situações vividas sejam rememoradas, mas sem pressão. Aproxime-se, apresente-se e diga quem você é;
• olhe nos olhos, adote essa postura para garantir que a mensagem seja entendida mais facilmente;
• fale devagar e em um bom tom de voz
• use sua expressão corporal para melhorar a comunicação;
• mantenha a calma e tenha paciência, repita a mensagem quantas vezes forem necessárias;
• utilize o humor e aprenda a rir dos mal entendidos;
• procure não dizer “eu te disse”, mas sim repita o que falou anteriormente;
• não dê ordens, tente perguntar o que necessita;
• Estimule sempre o que for possível fazer.
Melhorando a comunicação, certamente, haverá uma melhoria nas relações e na qualidade de vida tanto do paciente com Alzheimer como daqueles que convivem com ele. Apesar de incurável, a doença tem tratamento. Procure as Unidades de Saúde da Marinha. O Alzheimer pode apagar as memórias, mas não o carinho.
Tratamento:
As pesquisas têm progredido na compreensão dos mecanismos que causam a doença e no desenvolvimento de drogas para o seu tratamento, cujos objetivos são aliviar os sintomas existentes, estabilizando-os ou, ao menos, permitindo que boa parte dos pacientes tenha uma progressão mais lenta da doença, conseguindo manter-se independentes nas atividades da vida diária por mais tempo. Os avanços da medicina têm permitido que os pacientes tenham uma sobrevida maior e uma qualidade de vida melhor, mesmo na fase grave da doença, porém, não existe cura para a Doença de Alzheimer.
A cada etapa da doença, profissionais especializados podem ser indicados para minimizar problemas e orientar a família, com o objetivo de favorecer a superação de perdas e enfrentar o processo de adoecimento, mantendo a qualidade de contato e relacionamento. Muitos são os profissionais que cuidam de pessoas com Doença de Alzheimer. Além de médicos (geralmente neurologistas, geriatras, psiquiatras ou clínicos gerais), há atuação de outros profissionais de saúde: psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, educadores, educadores físicos, assistentes sociais e dentistas.
Prevenção:
O estilo de vida é muito importante para prevenir o Alzheimer. Quanto mais cedo houver uma mudança de hábitos, mais fácil é minimizar o problema. Algumas dicas:
– estimular o cérebro: mantenha o cérebro ativo aprendendo algo novo: um idioma, um instrumento, palavras cruzadas, etc. A leitura também é um ótimo hábito para o cérebro reter informações, treinando várias funções;
– exercitar-se: 30 minutos de atividade física de três a cinco vezes por semana. Para esta faixa etária recomenda-se a prática de natação, caminhada ou até mesmo subir escadas em vez de ir de elevador;
– ter uma alimentação saudável e balanceada: vegetais, peixes e frutas têm ótimos nutrientes para o cérebro, assim como óleos vegetais ricos em Ômega 3;
– controlar o diabetes e a pressão arterial: os dois problemas são comuns nesta faixa etária e podem aumentar o risco de Alzheimer e de outros tipos de demência em até 50%;
– tomar sol ou suplementar com Vitamina D: um estudo publicado em agosto de 2.014 na revista Neurology apontou que as pessoas com idade avançada que não recebem quantidades suficientes de vitamina D correm mais riscos de apresentar demência.
Da Redação Integrada ClicEspumoso e Jornal O Sentinela






