As taxas de mortalidade materna e infantil nos municípios abrangidos pela 6º Coordenadoria Regional de Saúde (6ª CRS) diminuíram quase pela metade durante a crise sanitária do coronavírus, segundo indica o boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (SES) atualizado na última sexta-feira (11).
Em 2019, ilustra o gráfico presente no documento, a região de Passo Fundo era a 6ª mais crítica nos índices de mortalidade entre gestantes e puérperas. Ao longo do último ano, contudo, houve uma drástica redução nos óbitos de 49,6 para 24,7. Tal queda fez com que a 6ª CRS seja, agora, a 8º com a menor razão de mortes maternas no Estado. O isolamento social, associado aos cuidados mais intensivos entre as próprias mulheres grávidas, podem ter contribuído para que a região fosse na contramão das médias estaduais. “Elas têm saído menos e ligam quando têm sintomas gripais. Procuramos agendar por horário para não tumultuar”, relatou a enfermeira do Centro de Referência de Saúde da Mulher, Tânia Moterle.
As maiores razões de mortalidade encontram-se nas mulheres com 30 anos ou mais, negras, e com menos de 7 anos de escolaridade, de acordo com as informações cadastradas pelas unidades de saúde no DATASUS. As mortes, em 2020, foram causadas por hemorragias, pré-eclâmpsia, Síndrome Respiratória Aguda Grave não especificada, coronavírus, HIV, doenças do aparelho circulatório e doenças do aparelho respiratório.
municípios abrangidos pela 6º Coordenadoria Regional de Saúde (6ª CRS)
Água Santa, Almirante Tamandaré do Sul, Alto Alegre, André da Rocha, Arvorezinha, Barracão, Barros Cassal, Cacique Doble, Camargo, Campos Borges, Capão Bonito do Sul, Carazinho, Casca, Caseiros, Ciríaco, Coqueiros do Sul, Coxilha, David Canabarro, Ernestina, Espumoso, Fontoura Xavier, Gentil, Ibiaçá, Ibiraiaras, Ibirapuitã, Itapuca, Lagoa dos Três Cantos, Lagoa Vermelha, Lagoão, Machadinho, Marau, Mato Castelhano, Maximiliano de Almeida, Montauri, Mormaço, Muliterno, Não-Me-Toque, Nicolau Vergueiro, Nova Alvorada, Paim Filho, Passo Fundo, Pontão, Sananduva, Santa Cecília do Sul, Santo Antônio do Palma, Santo Antônio do Planalto, Santo Expedito do Sul, São Domingos do Sul, São João da Urtiga, São José do Ouro, Serafina Corrêa, Sertão, Soledade, Tapejara, Tapera, Tio Hugo, Tunas, Tupanci do Sul, Vanini, Victor Graeff, Vila Lângaro e Vila Maria.
No Estado
Na série histórica observada pela SES, de janeiro a abril deste ano, o Rio Grande do Sul registrou 35 óbitos maternos por Covid-19, e durante todo o ano de 2020, foram seis casos. Isso representa um crescimento de 483,3% nas mortes de gestantes gaúchas em razão da pandemia.
Ao considerar apenas o primeiro quadrimestre de 2021, o mesmo sistema registrou um total de 406 internações entre gestantes e puérperas. Foram confirmados 323 casos de Covid-19, contando aqueles que estão em andamento ou encerrados. Entre os casos, há 106 internações em UTI, sendo que 87 foram finalizadas com 54 curados e 33 mortes, somados a dois óbitos sem internação em UTI. “Os dados de 2020 ainda são parciais, pois para finalizar o banco nacional de mortalidade materna é realizada uma investigação minuciosa dos casos, e o processo pode se estender por até um ano e dois meses até a definição do número total de casos”, justificou a Secretaria de Saúde por meio da assessoria.
Mortalidade infantil
Quanto aos óbitos em menores de um ano, o boletim identifica com dados preliminares que a taxa em 2020 atingiu o menor valor da história do Estado, com 8,61 óbitos para cada mil nascidos vivos, superando, portanto, a meta pactuada de 9,75 óbitos/1.000 nascidos vivos para o ano. Isso se refletiu, também, na queda das mortes dos pequenos residentes na regional de saúde com uma média de 8,03 óbitos, que colocou a zona passo-fundenses na 9ª posição entre as demais localidades.
Comparando com os anos de 2019 e 2020, a maioria dessas mortes estão relacionadas às causas perinatais e com predomínio do óbito neonatal precoce de zero a seis dias de vida, detalha a publicação produzida pelo Departamento de Atenção Primária e Políticas de Saúde (DAPPS). “A gente não consegue acompanhar elas lá na ponta, mas durante a pandemia houve uma diminuição dos cadastros no programa ‘Meu bebê, meu tesouro’”, mencionou a enfermeira do Centro de Referência de Saúde da Mulher. Criado em 2013 pela Prefeitura de Passo Fundo, o acompanhamento para gestantes de alto risco busca reduzir a mortalidade infantil no município.
Em 2019, último ano de referência apresentado pela SES, 99 óbitos fetais e infantis foram atestados na região do Planalto.
*O Nacional.






