O presidente Luiz Inácio Lula da Silva alertou a cerca de 20 chefes de Estado e de governo, em cúpula virtual com o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, que “negar a crise climática não vai fazê-la desaparecer”. A afirmação foi feita em discurso aos outros líderes, em reunião em que o presidente do Brasil também fez um apelo pela entrega das metas de reduções dos impactos climáticos, as chamadas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), que estão atrasadas desde fevereiro.
“Negar a crise climática não vai fazê-la desaparecer. Precisamos assegurar que o multilateralismo e a cooperação internacional sigam como pedra angular da resposta global à mudança do clima. Apesar das investidas contra o Acordo de Paris, foi graças a ele que revertemos as projeções mais pessimistas de elevação da temperatura, que previam aumento de quatro graus até o fim do século. O planeta já está farto de promessas não cumpridas”, disse o presidente.
Lula acrescentou que estamos a menos de sete meses da COP30 e que parece que o planeta está entrando “em território desconhecido pela ciência”. “O aquecimento global está ocorrendo em ritmo mais acelerado do que o previsto. Em 2024, a temperatura média da Terra ultrapassou pela primeira vez o limite crítico de um grau e meio acima dos níveis pré-industriais. Muitos ecossistemas, como as florestas, as geleiras e os mares, correm o risco de atingir um ponto de não retorno”, disse.
Lula defendeu que a “arquitetura de preparação das NDCs é suficientemente flexível para combinar metas ambiciosas e as necessidades de desenvolvimento de cada Estado”.
“Os países ricos, que foram os maiores beneficiados pela economia baseada em carbono, precisam estar à altura de suas responsabilidades. Está em suas mãos antecipar metas de neutralidade climática e ampliar o financiamento até o objetivo de US$ 1,3 trilhão”, disse.
Metas atrasadas
Atualmente, 19 países dos 196 signatários da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), entregaram as NDCs. O prazo inicial era fevereiro, mas foi estendido até setembro, por ainda faltarem muitas entregas.
As NDCs são as metas determinadas por cada país para reduzir a emissão de combustíveis fósseis, como gás natural, carvão e petróleo, e limitar o aquecimento da terra a 1,5º, seguindo o Acordo de Paris.
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