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O professor motivador como garantia de sucesso no processo de ensino/aprendizagem    

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Por: Josiane Rosolem- Professora de História da Rede Municipal de Espumoso  e Estadual de Ensino.                                           

                A motivação consiste em um impulso que leva o ser humano a agir na tentativa de atingir metas e objetivos traçados e está diretamente ligada aos nossos desejos, necessidades e vontades. Ela ocorre na subjetividade do indivíduo, ligada às relações de troca que o mesmo estabelece com o meio e entre professores e alunos.

Sabemos que a motivação em sala de aula melhora a atenção, a concentração dos alunos e o comprometimento ao realizaras tarefas de maneira satisfatória, e age sobre o pensamento, a atenção, emoção, ação, despertando anseios, desejos, esforços, sonhos e esperança, tanto do aluno quanto do professor.

Atualmente a motivação é vista como um processo muito importante na aprendizagem dos alunos em sala de aula, pois o professor enfrenta muitos desafios no ambiente escolar em que se insere. Muitos se conformam e acomodam-se com a situação, enquanto outros, pelo contrário, buscam cada vez mais alternativas para fazer da sala de aula momentos de construção, aplicação, inovação e mediação no desenvolvimento das potencialidades dos alunos. Esse processo, no entanto, só ocorre nas relações em que se estabelecem entre professor e aluno no contexto da sala de aula, porque é nela que ocorrem as situações de troca de experiências.

O professor, que conhece a importância da motivação no aprendizado, sabe que é preciso criar e desenvolver o interesse pelo que ensina e acima de tudo, de motivação, sempre. Dessa forma, o aprendizado tornar-se-á muito mais efetivo, prazeroso e significativo.

Não raro, encontra-se em nossas escolas uma considerável demanda de alunos desmotivados. Alguns fatores contribuem para o desinteresse dos alunos, como, por exemplo: a falta de materiais adequados para um ensino modernizador, deficiência de recursos tecnológicos, carência de profissionais capacitados, além da falta de estímulo dos familiares que também pode desencadear o desânimo para a aprendizagem durante as aulas. Todavia quando nos referimos à rejeição que muitos alunos demonstram em relação a algumas disciplinas, essa pode estar relacionada aos métodos utilizados pelo professor, bem como a desmotivação do mesmo, o que leva muitos alunos a desenvolverem a concepção de que o estudo da disciplina é insignificante.

O professor exerce função única e fundamental dentro da sala de aula, portanto, procedimentos metodológicos e pedagógicos empregados também influenciam sobre a qualidade das aulas ministradas, e, consequentemente, a motivação como um espelho mostra clara e evidentemente a ação-reflexão-ação entre a demanda e o professor.

Para que haja uma aprendizagem efetiva e duradoura, é necessária a definição de objetivos e atividades que desenvolvam a reflexão dos alunos. Assim, a aprendizagem significativa ocorre quando este está interessado e se mostra empenhado em aprender, isto é, quando está motivado. É a motivação interior do aluno que o impulsiona a estudar e a aprender cada vez mais, razão da importância no processo ensino-aprendizagem.

Para incentivar os alunos a estudar e aprender, o professor deve utilizar recursos, métodos, procedimentos incentivadores e diversificados. Esses recursos devem ser usados não apenas no início da aula, mas em todo o processo. Motivos e incentivos são importantes em todas as fases e momentos da aprendizagem, e não somente em seu momento inicial. Existem professores que só se preocupam em incentivar o educando apenas no início da atividade, esquecendo-se de reforçar esse incentivo no decorrer de toda a aula, a fim de que a motivação não se perca e o aluno desmotive-se, voltando àquele marasmo costumeiro que evidencia não aprender o que tem significado para a vida.

Ao aprender, o aluno constrói o próprio conhecimento. Nesse processo, alguns momentos são de descoberta, outros de reprodução, de transferência e construção do saber. O professor deve ter em mente que, mesmo diante das dificuldades e empecilhos, é possível a mudança, mas que ela só ocorre quando existe o real desejo de mudar.

            Percebe-se no espaço escolar que, apesar de vivermos em uma era de tecnologias modernas e avançadas, ainda existem professores que planejam e utilizam em sala de aula métodos tradicionais, pois preocupam-se em “despejar” o conteúdo proposto no plano de ensino, sem se importar com a qualidade das aulas, ou seja, a quantidade prevalece sobre a qualidade do que é ensinado. Por isso, tanto aluno quanto o professor não chegam a estudar situações atuais, reais e locais, próximas às vivências de ambos. Nosso desafio consiste em criar, possibilitar, exercitar efetivamente relações, conexões entre o presente e o passado, o que enriquece o conhecimento tanto do docente quanto do discente.

            A busca pela construção do conhecimento leva o professor motivador a desenvolver em sala de aula uma postura de mediador, ou seja, ele não se coloca como facilitador da aprendizagem, nem como transmissor, mas como mediador, por isso, ele defende aquilo que acredita ser cognitivamente verdadeiro e politicamente correto. Aulas expositivas devem abrir espaço à participação dos alunos, respeitando-se as opiniões e concepções de cada um.

O perfil do professor motivador deve ser o de um profissional que gosta do que faz, que sente prazer e paixão no trabalho que executa, que se emociona com a troca de experiências, que gosta de gente, que ouve, que respeita, que estimula, que elogia, que ensina, que aprende com a demanda e que busca a cada aula métodos diferentes, que estimulem o crescimento através de novos conhecimentos, para que juntos, possam construir o processo de aprendizagem.

Na visão do aluno, este professor motivador é aquele professor aberto, compreensivo, inovador, renovador do conhecimento, carismático, dinâmico, exigente, animado, afetivo, que está sempre aberto ao diálogo, respeita opiniões, que desperta no aluno o querer aprender cada vez mais, que promove a autonomia em sala de aula, além de gerenciar e orientar os alunos para a construção do saber também por meio da pesquisa.

O professor motivador envolve os alunos durante as aulas, propõe novos métodos de ensino, estimula a capacidade intelectual, sabe ouvi-los e respeita as opiniões e vivências, aplica novas metodologias e não apenas lança mão do livro didático como a verdade absoluta. Vai além da tradicional aula expositiva de leitura, responder questionários dos livros e memorizar conteúdos para as provas. Enfim, o professor motivado e os estudantes acreditam que quanto mais próximo o professor motivador estiver do aluno, mais ênfase e motivação ambos terão pelo aprender e pelo ensinar.

Nossos alunos pertencem a uma geração tecnológica, que domina e desenvolve com facilidade quaisquer aplicativos existentes. Por isso, o professor precisa com urgência modernizar as aulas com inovação e motivação. Na atual conjuntura, conta-se com ferramentas úteis tal como a internet. Nela encontramos uma variedade de sites, blogs e vídeos que, usados pelos professores durante as aulas, fazem que elas se tornem mais atrativas, mas, para isso, o professor precisa efetuar mudanças eficazes nas aulas, quebrando rotinas, como, por exemplo, utilizando outras ferramentas modernas, além do quadro-negro, giz e o livro didático Em outras palavras, deixar o comodismo de lado.

Portanto, é de extrema urgência que os professores assumam o pressuposto de que a desmotivação interfere negativamente no processo de ensino-aprendizagem, e entre as causas da falta de motivação estão, em muitos casos, a forma como o professor gere o planejamento e o desenvolvimento de suas aulas.

Na atualidade, precisamos de professores que gostem do que fazem, que despertem a paixão, o encantamento de seus alunos pelas disciplinas e,  principalmente, a motivação em querer aprender a fim de compreender a conjuntura em que estão inseridos, para assim transformá-la.

Para fazermos qualquer coisa na nossa vida, é necessário primeiramente que haja vontade para realizar, caso contrário, nada acontece, por isso as aulas requerem professores motivadores, reflexivos, transformadores, mediadores, que desenvolvam em sala de aula situações de aprendizagem, propondo atividades desafiadoras, estimulando  a pesquisa,  a fim de que o aluno se sinta  motivado e tenha papel ativo na construção do conhecimento, tornando-se criador da sua identidade e construtor da sua própria história.  Todavia, para que isso ocorra, é necessário que deixemos de lado o comodismo e assumamos imediatamente uma postura motivadora, transformadora e inovadora, e além do mais, tendo plena  responsabilidade ativa do que se ensina, como se ensina, por que se ensina e, principalmente, para quem se ensina.

           

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