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Piloto de helicóptero que desapareceu já foi investigado e teve licença cassada

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Foto: Reprodução
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O piloto Cassiano Tete Teodoro era o responsável pelo helicóptero que desapareceu na tarde do último domingo, 31, no litoral de São Paulo. Em seu histórico, Cassiano tem uma investigação por voos irregulares e uma cassação por dois anos, de 2021 a 2023, de sua licença para voar. Ele não tinha permissão para realizar voos comerciais de passageiros.

A informação foi confirmada pela ANAC que, em nota, afirmou que a aeronave “o helicóptero se encontra em situação normal de aeronavegabilidade, conforme registro em anexo, sem permissão para realização de serviço de táxi-aéreo.”

Histórico do piloto

Uma das investigações contra Cassiano começou em 2020, quando ele precisou fazer um pouso de emergência de um helicóptero no terraço de um prédio na Avenida Faria Lima, zona oeste da cidade de São Paulo. Piloto e passageiros saíram ilesos do incidente.

Na época, o acidente foi investigado pelo Quarto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa IV). Registros da apuração apontavam que a aeronave apresentou tendência de giro involuntário para a esquerda, seguido de perda de sustentação.

Por conta do incidente, o caso passou a ser investigado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) por ter indícios de prestação de serviço irregular de táxi-aéreo, já que Cassiano não tinha autorização legal para oferecer voos remunerados.

Investigações

Em um dos processos, o piloto foi acusado de ter fraudado o sistema de plano de voo ao informar matrícula de uma aeronave diferente da que ele usava, em 2016. Foi recomendada a abertura de um processo de cassação de licença do piloto por “caso grave de apresentação de informações falsas ao órgão de controle do espaço aéreo no intuito de obter vantagens pessoais ao decolar com aeronave não autorizada”.

Teodoro foi multado, em 2016, por conduta irregular em plano de voo e também foi suspenso cautelarmente, em 2017, por 93 dias, e, em 2019, por 73 dias, por indícios de transporte aéreo clandestino. No decorrer do processo administrativo, a Anac diz que informou ao Ministério Público do Estado de São Paulo sobre o caso, além de contar com o apoio da Polícia Civil em operações. Duas aeronaves pilotadas por Cassiano Teodoro também foram suspensas cautelarmente, em 2017 e 2019.

Procurado, Teodoro mostrou preocupação com a realização da reportagem. “Poxa vida! Se isso vir à tona agora… Isso talvez prejudique a nossa concessão de licença que a gente está pleiteando junto à Anac”. Ele ainda garantiu que a empresa não está operando e aguardava a certificação da agência reguladora. Ao ser indagado sobre usar outro nome para se apresentar aos passageiros, ele explica que “Guilherme, internamente, é um nome de pista”. A CNN também tentou entrevistar o advogado do piloto, que não quis se manifestar.

Em nota, a Anac afirma que “o processo da empresa Voe SP para certificação como empresa de táxi-aéreo foi aberto em 2018 e segue na primeira fase pela dificuldade de atendimento por parte da empresa dos requisitos iniciais mínimos para essa certificação. Uma das pendências é relativa à indicação de pessoal de administração necessário para o funcionamento da empresa, como o cargo de diretor de manutenção”. A agência afirma ainda que “tem concedido reiterados prazos para a apresentação dos requisitos pela empresa Voe SP e informa que a empresa não poderá prestar serviço de transporte como táxi-aéreo enquanto o processo estiver em andamento”.

Recomendação do MPF

Em outubro de 2022, o Ministério Público Federal recomendou que a empresa CBA Investimentos e Cassiano Tete Teodoro se abstivessem de prestar qualquer tipo de serviço de navegação aérea. O MPF ressaltou que Cassiano, “em nome de tais empresas ou em nome (ou codinome) próprio, vinha ou segue ainda operando serviços de táxi aéreo, ou panorâmicos, de forma desautorizada e ilegal, colocando em risco, não apenas o espaço aéreo, como também, a integridade física de consumidores de tais serviços, além da integridade e segurança dos próprios agentes fiscalizadores da ANAC.”

Desaparecimento do helicóptero

Um helicóptero que seguia para Ilhabela, no litoral de São Paulo, desapareceu no domingo (31), véspera do Réveillon, informou a Polícia Militar de São Paulo. A CNN conseguiu informações sobre os passageiros com a irmã de um dos desaparecidos na segunda-feira (1º).

Luciana Marley Rodzewics Santos, de 46 anos, sua filha, Letícia Ayumi Rodzewics Sawunoto, de 20, e um amigo, identificado como Rafael, estavam no helicóptero, além do piloto, ainda não identificado.

Luciana e Letícia teriam recebido o convite de Rafael para fazer um passeio de helicóptero, explicou a irmã.

A família informou ainda que a localização do celular da jovem está ativa e aeronaves da Força Aérea tentam fazer as buscas.

Devido à falta de visibilidade, eles não conseguiram pousar no local do sinal nesta segunda-feira (1º).

Segundo a PM, o helicóptero decolou às 13h15 do Campo de Marte, no dia 31. O último contato foi às 15h10.

Leia, na íntegra, nota da ANAC sore o helicóptero desaparecido e sobre o piloto, Cassiano Tete Teodoro:

Nota — ANAC

Em primeiro lugar, a ANAC informa que até o momento não recebeu nenhum informação do Comando da Aeronáutica, órgão responsável pela confirmação da eventual ocorrência envolvendo o helicóptero de matrícula PR-HDB.

Contudo, em relação à citada aeronave, consta no Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) que o helicóptero se encontra em situação normal de aeronavegabilidade, conforme registro em anexo, sem permissão para realização de serviço de táxi-aéreo.

Em relação ao piloto Cassiano Tete Teodoro, reforçando que a ANAC não dispõe de confirmação de sua presença como piloto em comando do voo, informamos que o piloto teve sua licença e todas as habilitações sumariamente cassadas pela Agência em 15 de setembro de 2021 por condutas infracionais graves à segurança da aviação civil. Na ocasião, o piloto recorreu à Justiça, que manteve a decisão da ANAC.

Cassiano Tete Teodoro foi cassado em decorrência, entre outros motivos, de evasão de fiscalização, fraudes em planos de voos e práticas envolvendo transporte aéreo clandestino.

Em outubro de 2023, após observar prazo máximo legal para a penalidade administrativa de cassação, que é dois anos, o piloto retornou ao sistema de aviação civil ao obter nova licença com habilitação para Piloto Privado de Helicóptero (PPH). Essa licença não dá autorização para realização de voos comerciais de passageiros.

CNN

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