A Justiça marcou para 28 de julho de 2025 o júri do policial militar Andersen Zanuni Moreira dos Santos, acusado de matar quatro pessoas em uma pizzaria de Porto Alegre, em junho de 2021. O PM é réu por homicídio qualificado (quatro vezes), violação de domicílio qualificada e contravenção de vias de fato.
Andersen ficou preso preventivamente por 311 dias, mas recebeu liberdade provisória em junho de 2022, por ser réu primário, não ter condenação definitiva e apresentar condições pessoais favoráveis, “embora registre uma denúncia recebida por estupro de vulnerável”, afirmou a juíza Lourdes Helena Pacheco da Silva ao conceder a soltura do réu em 28 de junho de 2022.
Os quatro homens mortos eram os irmãos Cristian e Cristiano Lucena Terra, de 33 e 38 anos, respectivamente; o primo deles, Alisson Correa Lucena, de 28 anos; e o sobrinho, Alexsander Terra Moraes, de 26 anos.
A defesa de Andersen Zanuni, composta pelos advogados David Leal, Roger Lopes, Jader Santos e Cristian Tombini, “tem convicção na versão do seu cliente de legítima defesa, que inclusive foi demonstrada nas câmeras de videomonitoramento do estabelecimento em que ocorreu o caso”. Sobre a denúncia de estupro de vulnerável mencionada pela juíza na sentença de pronúncia, os advogados afirmaram que o PM é inocente, mas não quiseram comentar o processo.
Os advogados Ismael Schmitt e Daniel Zalewski Cavalcanti, que atuam como assistentes de acusação, afirmam que a família das vítimas e os sobreviventes “receberam com surpresa e tristeza a notícia de que o júri ocorrerá somente em julho de 2025”
“Já sabíamos que o júri seria marcado para uma data mais distante, ante à substituição da prisão por medidas cautelares ao acusado, porém tínhamos convicção de que ainda seria este ano”, dizem.
O caso
A ocorrência foi registrada na madrugada de 13 de junho de 2021, em uma pizzaria na Avenida Manoel Elias, em Porto Alegre. Após atirar contra as vítimas, Andersen se apresentou à polícia alegando legítima defesa.
Ele teria ido à casa da família das vítimas, onde era realizada uma festa, em busca da ex-namorada. Testemunhas afirmam que o policial teria invadido a residência, sendo retirado de lá pelos homens.
Os quatro teriam seguido o acusado, que se escondeu na pizzaria. Dentro de um banheiro, o policial atirou contra o grupo, matando todos os homens, aponta a investigação.
Em julho de 2021, o inquérito da Polícia Civil chegou a confirmar a tese de legítima defesa, levantada por Andersen. Segundo o delegado Gabriel Lourenço, o policial militar usou “os meios necessários moderadamente para repelir aquela injusta agressão”.
Entretanto, a defesa da família dos assassinados e o Ministério Público contestaram a versão.
Na denúncia apresentada ao Judiciário, os promotores de Justiça André Gonçalves Martínez e Luiz Eduardo de Oliveira Azevedo sustentaram que Andersen, sem ter desferido sequer um tiro de aviso, passou a alvejar uma das vítima de forma letal com sucessivos disparos.
Em seguida, um segundo homem, que estava à frente do grupo, anunciou que iria socorrer o primo, momento em que foi alvejado com um tiro fatal na cabeça. O MP ainda relata que, sob o mesmo anúncio e objetivo de socorro, aproximaram-se as demais vítimas que foram, em sucessão, alvejadas.
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Alexsander (de moletom branco), Cristiano (de boné cinza), Cristian (de boné vermelho) e Alisson (com a camisa do Internacional) foram mortos a tiros por PM. — Foto: Arquivo Pessoal
Nota dos assistentes de acusação:
“A família e as vítimas sobreviventes receberam com surpresa e tristeza a notícia de que o júri ocorrerá somente em julho de 2025. Já sabíamos que o júri seria marcado para uma data mais distante, ante à substituição da prisão por medidas cautelares ao acusado, porém tínhamos convicção de que ainda seria este ano. De fato, isso demonstra a sobrecarga que o poder judiciário enfrenta, principalmente nas varas do júri. Outrossim, mais importante do que o dia do julgamento, é a certeza de que a população de Porto Alegre representada pelos sete jurados, julgará o caso com imparcialidade e justiça. A família dos mortos entende que trata-se de um criminoso que executou quatro parentes à sangue frio. Diante disso, contamos que a justiça será feita. Em tempo, ressaltamos grande preocupação com o fato do réu estar livre, fardado e armado nas ruas da capital gaúcha. A função de policial Militar é incompatível com as atrocidades que o réu cometeu. Esperamos que esse pesadelo tenha fim em breve.”
Fonte: G1






