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Polícia prende investigada por morte de cães e gatos em Canoas

Foto : Miguel Noronha / Polícia Civil
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A Polícia Civil, através da 3ª Delegacia de Polícia de Canoas, deflagrou nesta segunda-feira a 2ª fase da Operação Carrasco, no combate a crimes de maus-tratos a animais, associação criminosa e estelionato. Os alvos da ofensiva são uma protetora de animais e dois veterinários investigados por um esquema criminoso de eutanásia fraudulenta de cães e gatos para desviar valores angariados via pix para tratamentos que nunca ocorreram.

Foram cumpridas três prisões preventivas e doze mandados de busca e apreensão. Além das prisões da investigada atuante na causa de proteção aos animais e dos dois veterinários, foram apreendidos telefones celulares, computadores e outras provas para a sequência das investigações. Também foi apreendido um cão debilitado sem as patas dianteiras, que também era utilizado para pedidos de pix nas últimas manifestações em redes sociais.

Primeira fase: a matança desmedida na Sebea de Canoas

As investigações que culminaram na primeira fase da Operação Carrasco, deflagrada no dia 04 de setembro de 2025, tiveram como foco a Secretaria Especial de Bem-Estar Animal de Canoas. Naquela ocasião, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão, incluindo a sede do órgão municipal, a residência da investigada, um sítio onde está registrado o seu Instituto Nacional de Proteção Animal e a casa de médica veterinária que atuava junto à Secretaria.

Após análise de todo o material apreendido, a constatação inicial foi alarmante: o número de eutanásias no local realmente estava muito acima do esperado para o perfil dos animais recolhidos e também em relação aos anos anteriores. Usuários do serviço e agentes da Secretaria foram os primeiros a alertar a polícia sobre os fatos.

Segunda fase: o desmantelamento da estrutura criminosa

Na operação de hoje, a Polícia Civil intensificou a ação contra a estrutura criminal que operava fora dos muros da Secretaria. Na nova fase, a PC aprofundou o conteúdo do material apreendido e confirmou a relação direta da principal investigada, valendo-se da condição de “protetora dos animais”, com os veterinários de fora da Secretaria. Segundo apurado, os animais resgatados eram encaminhados para eutanásia em situações em que ainda havia alternativas de tratamento.

Em um dos casos apurados, a investigação aponta que uma das veterinárias comunicou a possibilidade da doença e perguntou se seria feito o teste antes de qualquer decisão. Mas a resposta atribuída à ex-secretária foi de autorização para seguir diretamente com a eutanásia, sem a confirmação diagnóstica prévia. Os investigadores apontam que isso contrasta com a prática clínica recomendada, já que a cinomose depende de exame específico para confirmação.

A apuração também identificou que, na mesma data, a investigada teria divulgado pedido de apoio financeiro nas redes sociais para custear o suposto tratamento do mesmo animal, enquanto, nos bastidores, autorizava a eliminação da cadela. Para os policiais, esse contraste reforça a suspeita de que havia arrecadação de recursos associada a uma narrativa pública de cuidado que não correspondia ao destino efetivo do animal.

Em outra situação, a ex-gestora tratou com uma veterinária sobre um animal com suspeita de esporotricose. Embora a profissional tenha explicado que havia possibilidade de tratamento, a ordem registrada pela investigação foi interpretada como indicação para fazer “o que tem que ser feito”, expressão que, no contexto indica a determinação para a realização de eutanásia.

A investigada, que nas redes sociais ostentava fotos de animais com deficiência que “adotava” e “salvava”, usava essa fachada para legitimar suas captações. A exoneração do cargo de Secretária não desmobilizou o esquema, que continuou a operar sob a guarda de sua “associação” no sítio.

De acordo com o apurado, ela atuava desde 2020, com 549 vaquinhas realizadas, sendo que o Instituto já recebeu um total de R$ 672.670,39, de 14.545 pessoas.

“Eles organizaram-se como uma estrutura criminosa. A morte de cada cão não era um ato de piedade, mas um ato de lucro. A polícia agora busca os registros de microchip de todos os animais que sumiram para, quem sabe, tentar identificar quantas vidas foram sacrificadas em nome de pix. A Operação Carrasco marca o fim de um ciclo de impunidade. A prisão de quem deveria ser a protetora dos animais ecoa, alertando sobre a necessidade de fiscalização rigorosa nas ONGs e Secretarias de Bem-Estar Animal”, explicou a Delegada Luciane Bertoletti.

O Delegado Cristiano Reschke, Diretor da 2ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana de Canoas, enfatizou a gravidade da exploração da confiança pública e a crueldade do esquema: “O que a Operação Carrasco desvendou foi um cenário de crueldade extrema e manipulação perversa da solidariedade pública. A investigada não apenas decidia pela morte deliberada de animais que poderiam ser salvos, mas utilizava o sofrimento dessas criaturas como isca emocional para um esquema de estelionato financeiro. É estarrecedor constatar que, enquanto o público doava recursos acreditando financiar a cura e o bem-estar, nos bastidores, a ordem era a eliminação sumária para maximizar o lucro. Os animais deixaram de ser seres vivos sob proteção para se tornarem meros objetos de uma narrativa falaciosa, explorando a boa-fé da sociedade em um ciclo de morte que envergonha a causa animal”, afirmou o Delegado Reschke.

A Polícia Civil gaúcha continua a investigação, com foco na apuração de quantos animais foram vítimas dessa “eutanásia financeira”.

Correio do Povo

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