A perspectiva é de um cenário promissor para a agricultura gaúcha na próxima temporada de verão, com previsões indicando um aumento notável na produção de grãos. De acordo com a primeira estimativa divulgada pela Emater durante uma coletiva de imprensa na Expointer, em Esteio, a safra 2023/2024 poderá registrar uma colheita de 36 milhões de toneladas de grãos, apresentando um crescimento substancial de 49,1% em relação ao ciclo anterior, marcado por perdas decorrentes da estiagem.
A expansão também é notável na área plantada, com uma projeção de crescimento de 1,7%. Considerando o atual patamar de 8 milhões de hectares cultivados no estado, esse aumento é considerado significativo pela instituição.
A soja, sendo a cultura dominante no Rio Grande do Sul, é uma das maiores beneficiadas pela expectativa de recuperação. No último ciclo, a seca causou uma quebra de mais de 30% na produção. Comparando com esse cenário desfavorável, a produção esperada de soja para 2023/2024 mostra um crescimento de 73%, resultando em uma colheita de 22,4 milhões de toneladas. A área destinada ao cultivo de soja também apresenta um acréscimo de 1,3%, totalizando 6,7 milhões de hectares.
Claudinei Baldissera, diretor técnico da Emater, destacou que esse crescimento é em parte resultado do avanço da soja em áreas anteriormente utilizadas para pastagens, indicando uma mudança no uso do solo e contribuindo para a expansão da cultura.
Para o milho, que foi amplamente prejudicado pela falta de chuvas na temporada anterior, as expectativas são de melhoria. A área plantada para o milho deve somar 817,5 mil hectares, com uma colheita estimada em 6 milhões de toneladas. Apesar de uma diminuição de 0,7% na área plantada, os números sugerem um aumento de produção em várias regiões produtoras. Segundo Baldissera, isso pode ser atribuído ao avanço da irrigação, principalmente nas regiões norte e nordeste do estado. No caso do milho silagem, que está intimamente ligado à atividade leiteira, também há uma perspectiva positiva de aumento na produção e produtividade, mesmo com uma área menor.
A próxima safra sinaliza um espaço maior para o arroz. A área plantada com o cereal deve aumentar 7,44% em relação ao ciclo anterior, atingindo 902 mil hectares. A produção esperada é de 7,5 milhões de toneladas. Esse aumento na intenção de plantio é influenciado pelas condições climáticas e pelo inverno chuvoso.
As previsões de uma safra frutífera coincidem com boas notícias vindas do clima. Após anos de condições adversas, com primaveras e verões excessivamente secos, as projeções climáticas indicam que o próximo verão não deverá ser marcado por estiagens generalizadas no Rio Grande do Sul.
Flávio Varone, meteorologista da Secretaria da Agricultura e coordenador do Simagro-RS, destacou que a escassez hídrica deve ser localizada em algumas regiões e ocorrer por períodos mais curtos.
“Estendendo a previsão para o verão de 2024, as indicações até o momento sugerem que provavelmente não teremos um novo quadro de estiagem generalizada no estado”, declarou Varone durante a apresentação dos dados.
Ainda este ano, os dados climáticos apontam para chuvas acima da média nos próximos meses, com o fenômeno El Niño exercendo uma influência moderada a forte no estado. A primavera chuvosa pode ajudar a recuperar os reservatórios que secaram, mas também pode impactar a conclusão da safra de inverno, afetando a colheita e atrasando o plantio de verão.
Fonte e foto: GZH






