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Sinais de abuso ou moléstia sexual

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Imagem Ilustrativa / Divulgação
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Em razão de diversos casos de abuso e moléstia sexual ocorridos na região recentemente, o Clic Espumoso, cumprindo sua missão de bem informar os seus seguidores, foi buscar orientações a respeito do assunto com a psicóloga Lana Cristiane Erig. Lana é especialista em terapia de casal e família, sexóloga, neuropsicóloga e especialista em gestão de pessoas.

Ela nos presenteou com o seguinte artigo:

É importante estar alerta para mudanças nas emoções e comportamentos que parecem fora do comum em seu filho (a):

Mudança de comportamento da criança ou adolescente. Repentinamente começa a apresentar medos que não tinha antes, do escuro, de ficar sozinha ou sente rejeição por determinadas pessoas ou mudanças extremas no humor, mau desempenho escolar, falta de concentração, mudanças na alimentação (anorexia, bulimia), distúrbio do sono como pesadelos e insônias, mudanças na forma de se vestir.

Comportamento regressivo. A vítima pode apresentar comportamentos que já havia abandonado, como fazer xixi na cama ou voltar a chupar o dedo ou ainda ter crises de choro sem motivo aparente. Pode ainda se isolar com medo, não ficar perto de amigos, não confiar nas pessoas ou usar roupas incompatíveis com o clima como mangas longas, capuz (pode ser sinal de autolesão) ou fugir de qualquer contato físico.

Proximidade excessiva. Se seu filho desaparece por horas brincando com um primo mais velho, tio ou padrinho ou se é alvo de um interesse incomum de adultos da família em situações em que ficam sozinhos sem supervisão, é preciso atenção. Geralmente o abusador manipula emocionalmente a vítima, o que pode levar ao silêncio por sensação de culpa. Essa culpa pode se manifestar em comportamentos graves no futuro como a autolesões e até ideias suicidas ou suicídio.

Segredos. O abusador pode fazer ameaças de violência física para manter o segredo. É comum presentear, dar dinheiro ou outro tipo de benefício material para construir a relação com a vítima.

Questões de sexualidade. As vítimas podem reproduzir o comportamento do abusador em outras crianças ou adolescentes. A criança poderá fazer brincadeiras que têm algum cunho sexual, fazer desenhos que mostram genitais ou ainda apresentar comportamentos como: em vez de abraçar um familiar, dá beijo e acaricia onde não deve, pode usar palavras diferentes das aprendidas em casa para se referir às partes íntimas, sendo importante perguntar onde seu filho aprendeu tal expressão.

Questões físicas. É importante ficar atento a possíveis traumatismos físicos, lesões, roxos dores nas regiões genitais ou anal, dores ao evacuar ou urinar.

Como prevenir
Muitas vezes, o abuso sexual em crianças vem acompanhado de outros tipos de maus tratos que ela sofre em casa, como a negligência dos pais. Filhos que passam horas sem supervisão ou que não tem o apoio emocional da família, estarão em situação de maior vulnerabilidade a este tipo de abuso ou outros, ou tempo em excesso nas telas do mundo virtual, podendo ser vítimas de apelos sexuais pela internet. Se faz necessário, o acompanhamento, participação e supervisão constante das atividades e vida de seu filho. “Se você não prestar atenção a seu filho, outra pessoa o fará”.

Geralmente o pedófilo procurará as crianças vulneráveis e que não recebem atenção dos pais. Não deixe seu filho sozinho com desconhecidos. Até os parentes podem ser uma ameaça. O segredo é se tornar presente. Alguns pedófilos procuram por crianças de pais solteiros que não conseguem dar muita atenção aos filhos.

  • Oriente seu filho que nunca deve enviar fotos para uma pessoa que conheceu na internet e também não se encontrar fisicamente com a mesma.
  • Oriente que não pode autorizar toques nas regiões íntimas e se o mesmo acontecer em algum momento, deverá imediatamente contar para os responsáveis.
  • A partir dos 12 anos de idade é importante que os pais conversem com os filhos sobre sexualidade, impedindo que os pedófilos ensinem coisas impróprias para a idade.
  • É preciso explicar aos filhos que nenhum adulto ou criança mais velha deve manter segredos com ela que não possam ser compartilhados com adultos de confiança, como a mãe ou o pai.

Características do Pedófilo
Geralmente os pedófilos são pessoas conhecidas pelas crianças por meio da escola ou de outra atividade, como um vizinho, professor, membro da igreja, instrutor de música, uma babá ou até mesmo membros da família, tais como pais, mães, padrastos, madrastas, avôs e avós, entre outros.

A maioria dos pedófilo é composta por homens e tem algum histórico de abuso no passado, seja físico ou sexual, podem possuir também problemas mentais, distúrbio de humor ou personalidade.

Geralmente eles não demonstram tanto interesse por adultos quanto pelas crianças e planejam formas que favoreçam passar algum tempo com elas. Normalmente verbalizam que amam todas as crianças e sentem-se como se ainda fossem uma.

O pedófilo normalmente passa por um processo por meio do qual ele conquista a confiança da criança, algumas vezes até a confiança dos pais, podendo oferecer-se para cuidar da criança, leva-la para praça, shopping. Geralmente começam a abusá-la após conquistarem sua confiança.

O molestador de crianças poderá utilizar-se de jogos sexuais
explícitos, carícias, beijos, toques, comportamentos sexualmente sugestivos, exposição da criança a materiais pornográficos, bajulação, afeição e amor. Essas táticas confundem a criança.

O pedófilo é uma pessoa que sente forte atração por crianças pré-púberes. Já o efebófilo é uma pessoa atraída por adolescentes ou pessoas no final da adolescência.

Muitos casos tem chegado as clínicas?

Sim, muitas adultas que foram molestadas ou abusadas sexualmente na infância desenvolvem transtornos depressivos, ansiosos ou outros transtornos psiquiátricos decorrentes do abuso, procuram por atendimento, com grande sofrimento psíquico e dificuldades para estabelecer relações de confiança na vida afetiva, sexual e relações interpessoais. Também é comum adolescentes que foram molestados por um efebófilo que desenvolvem estresse- pós trauma, transtorno depressivo e crises de ansiedade.

Observa-se que muitas vezes acontece um duplo Abuso, primeiro pelo molestador, pedófilo ou efebólico e segundo pela sociedade ou em alguns casos por membros da família quando a mesma faz julgamentos, insinuando que o fato não ocorreu, que o incapaz não está falando a verdade ou ainda que de alguma forma contribuiu para a ocorrência da moléstia ou abuso. Essas atitudes causam ainda mais sofrimento à vítima, pois ao invés de estar sendo amparada, cuidada, novamente está sendo submetida a abuso, mas dessa vez emocional.

É imprescindível que os pais denunciem casos de abuso ou moléstia sexual e ainda que procurem por atendimento psicológico para amenizar o sofrimento da vítima e também da família.

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