O tio da menina de quatro anos, que morreu com marcas de violência, foi preso nesta quinta-feira em Porto Alegre. As informações são da Record e foram confirmadas pela delegada responsável pelo caso, Alice Fernandes.
Segundo a delegada Alice, o homem, que até então estava em local incerto, se apresentou a uma guarnição da BM e falou sobre o caso. Em seguida, uma ocorrência foi feita e depois transferida para a 3ª Delegacia de Polícia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente.
“No depoimento, ele confessou o delito. Ele explicou que a menina havia feito cocô e, no intuito de repreendê-la, deu palmadas no bumbum. O rapaz negou qualquer outro tipo de agressão e negou que tenha usado outro tipo de instrumento”, relatou a delegada Alice.
Apesar do relato do principal suspeito do caso, a delegada explicou que a causa da morte da criança foram agressões. “Ainda esperamos mais detalhes que só saberemos com o laudo, mas uma coisa já está posta. Ela foi morta por agressões, inclusive com politraumatismo”, enfatizou.
A delegada Alice comentou que no depoimento o homem demonstrou arrependimento e que afirmou que a intenção não era matá-la. “Ele fala que se excedeu na correção”, acrescentou.
Próximos passos
A delegada Alice Fernandes explicou que os próximos passos da investigação. Segundo ela, a partir da prisão do tio da criança, a Polícia Civil tem um prazo de dez dias para reunir mais elementos probatórios antes da denúncia.
“A partir de agora vamos continuar a investigação. Vamos extrair dados do celular e buscar outros elementos para entender o contexto de tudo que aconteceu. O laudo que estamos esperando é importante porque poderemos entender se houve agressões pretéritas e presentes. O suspeito no depoimento negou qualquer agressão anterior ao fato”, completou a delegada.
Histórico
A criança, que já havia morado com diversos parentes, era cuidada pela tia e o companheiro desde julho. O casal levou a menina, já sem vida, à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Bom Jesus, na madrugada do dia 17. A mulher foi levada à delegacia no mesmo dia e prestou depoimento, no qual descreveu os últimos momentos da criança.
Segundo o relato, o companheiro da tia, com quem ela se relacionava havia três anos, teria admitido que agrediu a menina no dia da morte. A mulher relatou ter se surpreendido com a agressão, pois o homem nunca teria sido violento com a criança, que o chamava de pai.
Segundo a Brigada Militar, o companheiro da tia fugiu ao perceber a chegada de uma viatura à UPA e não havia sido localizado até hoje.
Tia relata últimos momentos da criança
Segundo a delegada Alice Fernandes, a mulher relatou que, na véspera da morte da menina, no domingo, dia 16, estava trabalhando, enquanto o companheiro dela, com quem mantinha um relacionamento havia três anos, cuidava da sobrinha.
Ao chegar em casa à noite, a tia teria encontrado a criança tomando banho sozinha, como era de costume. A mulher relatou ter percebido um hematoma nas nádegas da menina. A criança não teria comentado sobre o ferimento e foi dormir.
A tia teria dito que questionou o companheiro, que teria admitido a mulher ter batido na menina porque ela teria feito cocô nas calças. Após a revelação, os dois teriam começado a discutir.
Segundo o depoimento, a mulher se surpreendeu com a afirmação. Ela afirmou que o homem nunca havia demonstrado comportamento violento e que jamais teria agredido a criança ou ela própria.






