O sonho de conhecer Portugal e reencontrar a irmã virou uma corrida contra o tempo. Luís Felipe Benke dos Santos, de 8 anos, morador de Balneário Camboriú, no Litoral Norte de Santa Catarina, está internado em um hospital de Lisboa com câncer em estágio avançado. Depois de semanas de mobilização da família e de milhares de pessoas nas redes sociais, o menino finalmente conseguiu garantir o retorno ao Brasil, mas não pelas mãos do governo federal.
O caso ganhou contornos políticos por causa de um episódio do ano passado. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou Luís em Blumenau durante a entrega de um equipamento de tratamento contra o câncer na região, posou para fotos com o menino e publicou o registro nas redes sociais. Meses depois, com a criança internada em Portugal e a família pedindo socorro, a gestão federal não viabilizou o resgate.
Luís foi diagnosticado com sarcoma de Ewing, um tipo raro e agressivo de câncer que atinge principalmente crianças e adolescentes. Ele enfrenta a doença há cerca de dois anos. Já passou por cirurgia para retirada de parte do quadril, dezenas de blocos de quimioterapia e sessões de radioterapia. Em uma das internações, em Blumenau, contou a uma professora hospitalar o sonho de conhecer Portugal, onde mora a irmã.
Com autorização médica, a família embarcou para o país europeu em maio, depois de uma campanha que arrecadou recursos ao longo de meses. Durante a viagem, o menino começou a apresentar febre e dores. Já em Portugal, exames apontaram o retorno agressivo da doença, com metástases. O tratamento no hospital de Lisboa passou a ser paliativo, voltado ao conforto e à qualidade de vida.
A partir daí, a mãe, Giselle Benke, passou a pedir ajuda pública para trazer o filho de volta. A família relata que os médicos em Portugal já haviam autorizado o retorno, mas que a condição clínica do menino impedia o embarque em voos comerciais comuns, sendo necessário um transporte com estrutura médica.
SC aciona a União e socorro vem por fora
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina afirmou que acionou o Ministério da Saúde e o Ministério das Relações Exteriores pedindo apoio da União para a repatriação, mas que recebeu apenas orientações gerais, sem solução concreta. Diante disso, segundo a pasta estadual, a documentação foi encaminhada ao Ministério Público Federal, que autuou uma Notícia de Fato em caráter de urgência. A família, em relatos nas redes, também afirma que a gestão federal teria negado a ajuda.
Sem resposta do governo federal, o retorno acabou viabilizado por uma articulação privada. Um empresário de Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina, que estava em Brasília, conseguiu intermediar a liberação do embarque junto à companhia portuguesa TAP, a contratação de um médico internacional para o acompanhamento e o custeio das despesas da família.
Procurado pela reportagem, o empresário não quis reconhecimento pela ajuda e limitou-se a dizer que “as coisas poderiam ser menos complicadas”. Mãe e filho estão retornando ao Brasil em um voo da TAP, com assistência médica.
A reportagem da coluna Radar, da revista Veja, afirma ter procurado o ministro Alexandre Padilha, mas não obteve resposta. Até a última atualização, o governo federal não havia se manifestado publicamente sobre as críticas.
Com o desfecho encaminhado, a expectativa da família agora é de que Luís retorne ao Brasil para retomar o acompanhamento perto de casa, da rede de apoio e dos profissionais que cuidaram dele desde o início. O caso segue sendo acompanhado pela família e pelos órgãos envolvidos.
Jornal Razão






