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Carta de Porto Alegre pede diálogo e urgência no controle da epidemia de Aids no Rio Grande do Sul

Imagem/Reprodução: Correio do Povo.
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Capital com a maior mortalidade de Aids do Brasil, com 12 mortes por 100 mil habitantes, segundo o Boletim Epidemiológico de HIV e Aids 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde, Porto Alegre agora tem um documento científico firmado por associações, ativistas, gestores públicos e entidades médicas para o enfrentamento da doença.

A Carta de Porto Alegre, movimento coletivo que consolida a Aliança Gaúcha pelo Enfrentamento do HIV, foi lançada nesta semana durante o evento 7º InfectoTchê, realizado no hotel Hilton, e pode ser vista e assinada aqui. Ela foi elaborada, entre outras entidades, pela Sociedade Gaúcha de Infectologia (SGI), Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs), Fórum ONG Aids RS (FOARS) e Grupo de Apoio à Prevenção à Aids do Rio Grande do Sul (Gapa-RS). E o cenário atual é preocupante e exige respostas rápidas e coordenadas.

“Talvez aqui no Rio Grande do Sul estejamos entre os dez piores lugares do mundo, enquanto microrregião. É um cenário completamente distinto de outros locais”, disse o presidente da SGI, Dimas Alexandre Kliemann. O quadro, segundo ele, coloca a infecção atingindo fortemente as novas gerações, de pessoas entre 18 e 25 anos, e é impulsionada por determinantes sociais.

“O HIV, no início, era tratado com termos bastante pejorativos, porque acontecia em grupos com um comportamento de risco, mas hoje temos uma situação completamente diferente. Existem populações mais vulneráveis, então a doença afeta desproporcionalmente a população negra, de baixa renda e moradora de áreas periféricas”, disse Kliemann.

No Estado, 62% dos óbitos por Aids são de pessoas negras. De forma geral, o HIV atinge pessoas que têm pouco acesso à informação, bem como a preservativos e outras formas de testagem e prevenção, salientou ele. Além da alta mortalidade, o Rio Grande do Sul é também uma das unidades da federação com maior notificação de casos, com 7,3 mil óbitos por 100 mil habitantes, mais do que o dobro da média nacional, de 3,4, segundo a SGI.

Na Região Metropolitana de Porto Alegre, estudos apontam prevalência de HIV de aproximadamente 1,64% da população, ultrapassando o limite de 1% definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como indicador de controle da epidemia. Somente na Capital, o ano de 2024 teve mais de 1,3 mil diagnósticos positivos.

Pesquisa científica

Mas nem tudo são notícias ruins, com Kliemann comentando que o RS está na vanguarda da pesquisa científica, por meio de instituições como o Instituto de Pesquisas Avançadas do Rio Grande do Sul (Ipargs), que recruta pacientes para estudos promissores focados na cura e na remissão do vírus. Além disso, destacou ele, tratamento imediato após a infecção aguda já está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS), mudando completamente o curso da doença.

Ao contrário do senso comum, conforme o médico, a cura para o HIV já existe, dividida em dois termos. Uma é a esterilizante, já alcançada em casos raríssimos, e condicionada ao transplante de medula óssea, geralmente associada a pessoas com HIV e condições associadas, como leucemia ou linfoma.

Com mortalidade de 40%, ela é descartável como tratamento em massa, já que o HIV mata muito menos se detectado precocemente. A outra é a não esterlizante, cujo objetivo é buscado pela ciência, e no qual, em tese, o paciente permanece com o vírus no organismo, mas ele entra em um período de latência ou remissão permanente, similar a doenças como toxoplasmose ou a doença de Chagas.

“Essa cura ainda está em pesquisa, mas já houve os primeiros trabalhos com efetividade. Já existem pessoas que estão nessa fase e latência e participam da pesquisa, mas não sabemos quanto tempo vai durar isso, dois, cinco, dez, 50 anos. Não temos esta resposta ainda porque essas pesquisas ainda são recentes, mas já há um cenário muito mais promissor de que pessoas possam ser curadas”.

Questionado se a inteligência artificial pode ser aliada na busca de uma cura para a Aids, assim como ocorre em outras pesquisas médicas, Kliemann disse acreditar que ela possa ser usada para a busca de medicamentos de forma rápida para doenças emergentes e novos vírus, algo que não pode ser feito com o HIV, porque todo seu ciclo de replicação já é conhecido desde antes da IA, assim como os caminhos para o tratamento e cura.

Para ele, o maior impacto da inteligência artificial é na contenção da doença. “A maior virtude da IA é cruzar dados, localizar pessoas que testaram positivo, mas não estão em tratamento. Ao trazê-las para o sistema de saúde, é possível que elas iniciem ou retomem a medicação necessária”, comentou ele, destacando ainda que a prevenção da doença é mais tratável quando feita de forma individual, sem depender tanto do poder público, que tem se mostrado ineficiente no controle da enfermidade.

Fonte: Correio do Povo.

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